Um Sonho Patriótico

POSTED BY: holzapfel

07/02/09


Blog do convidado especial Robert C. Freeman, professor de história e doutrina da Igreja da BYU.

Assita ao desfile, veja a banda passar, acenda a churrasqueira e presencie o espetáculo de fogos de artifício! Neste mês de julho os Santos dos Últimos Dias dos Estados Unidos se unirão ao resto da nação em festejar o nascimento [dia da independência] dos Estados Unidos da América.  Já faz quinze anos que venho colecionando histórias dos membros da Igreja que serviarm nas forças armadas (www.saintsatwar.org).

Os Santos dos Últimos Dias desfrutam uma longa história de patriotismo a seus respectivos países, entre eles os Estados Unidos. O próprio Joseph Smith abraçou um sentimento de lealdade aos princípios da constituição dos EUA. Ele disse: “Eu sou o maior defensor da constituição dos Estados Unidos que há nesta terra. No íntimo estou sempre pronto para até morrer em defesa dos indefesos e oprimidos quanto a seus direitos justos. A única fraqueza que encontro na constituição é que não é suficientemente ampla para atender a todas as necessidades do povo” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, compilado por Joseph Fielding Smith [SLC: Deseret Book, 1976], 326). A percepção por parte do Profeta referente à necessidade que amplificar a constituição é muito interessante posto que depois de seu falecimento houve emendas cruciais, tais como as de direitos humanos e civis (emendas treze, quatorze e quinze) e a décima nona emenda que proporcionou o direito de votar à mulher.Algumas décadas atrás, na ocasião do festejo do bicentenário da fundação dos Estados Unidos, o Presidente Spencer W. Kimball falou das tendências militantes da humanidade moderna: “Somos um povo guerreiro, facilmente desviado de nossa designação principal, a de preparar-nos para a segunda vinda do Senhor. Quando surgirem inimigos, dedicamos vastos recursos à fabricação de deuses de pedra e de aço, ou seja, navios, aviões, mísseis e fortificações, e dependemos deles para nossa proteção e liberação. Quando ameaçados, viramos contra os inimigos em vez de a favor do reino de Deus; treinamos um homem na arte de gurerra e o chamamos de patriota, assim pervertendo, de forma diabólica e falsa, os ensinamentos do Senhor” (“The False Gods We Worship (Os deuses falsos que adoramos),” Ensign, junho de 1976).

Hoje em dia os Santos dos Últimos Dias norte-americanos continuam a ser patriotas sob a bandeira de vermelho, branco e azul. A cidade de Provo, sede da Universidade Brigham Young, patrocina uma das maiores celebrações do dia quatro de julho [dia da independência] em todo o território nacional, o chamado Festival de Liberdade. Naturalmente, a influência da Igreja está no mundo todo, o que nos obriga a considerar umas questões importantes, por exemplo, o que significa o patriotismo em termos da Igreja global? Com certeza temos que manter uma perspectiva correta quanto ao patriotismo. Festejamos o dia porque esta é a terra de nossos pais e de nossos filhos. Abraçamos tudo que é de bom em nosso país e esperamos ajudar em questões de liberdade e direitos humanos tanto aqui “em casa” como no exterior. Procuramos defender os princípios de liberdade e igualdade em todos os lugares em que forem atacadas.

O Élder Dallin H. Oaks também nos advertiu a respeito dos riscos de um patriotismo zeloso demais quando disse: “O amor pela pátria é, certamente, uma virtude, porém, levado ao excesso, pode se tornar causa de decadência espirituall. Há certos cidadãos cujo patriotismo é tão intenso e tão envolvente que domina todas as outras responsabilidades, inclusive as de família e de Igreja” (“Our Strengths Can Become Our Downfall(Nosso forte pode se tornar nosso fracasso),” Ensign, outubro de 1994, 17). Que soltem os foguetes!

Tais ensinamentos nos lembram da necessidade de refinar nosso patriotismo para assegurar que seja sincero e dentro dos limites que o Senhor estabeleceu. O verdadeiro patriotismo proporciona honra a qualquer nação em que se abrace a liberdade. Tal liberdade é necessária para que o reino de Deus floresça entre os povos do Senhor. Há muito que festejar no nosso país abençoado e em todo país onde se luta pela liberdade.


Joseph e Hyrum Smith

POSTED BY: holzapfel

06/26/09


Blog do convidado especial Richard E. Bennett, professor de história e doutrina da Igreja.

O sucesso do movimento da Reformação Protestante se deve à tradução e à edição de um livro. Certamente foram indispensáveis para o sucesso final da Reformação os esforços de tais mártires antigos como John Wycliffe, e, mais tarde. os esforços dos reformadores tais como William Tyndale e Martinho Lutero, os quais imprimiram e disseminaram a Santa Bíblia, graças à invenção prévia de tipo móvel e da imprensa por Johann Gutenberg. Naquela época procuraram muitas vezes incendiar os livros numa tentativa de destruir o poder da palavra impressa, mas não havia incêndio que pudesse impedir o avanço deste maré de reforma religiosa.

Assim também a Restauração do evangelho de Jesus Cristo dependia em grande parte do poder da publicação de outro livro. Neste dia, o 165º aniversário do martírio de Joseph e Hyrum Smith, convém dar uma paradinha e lembrar-nos de sua causa. Os historiadores continuam a oferecer um monte de explicações imediatas pelo martírio: a destruição da imprensa do jornal Nauvoo Expositor, a extradição proposta pelos missourianos, o assunto da separação da Igreja do Estado levantado por Thomas C. Sharp, a intriga de John C. Bennett e um grupo de ex-Santos dos Últimos Dias desafetados, a poligamia?a lista continua e continua.

Porém, pode ser que convenha nos lembrar de que John Taylor, uma testemunha ocular do assassinato, não o atribuiu, conforme consta na seção 135 de Doutrina e Convênios, a estes fatos, e sim à publicação de dois novos livros de escrituras. John Taylor declarou que era o surgimento do Livro de Mórmon e do livro de Doutrina e Convênios “para a salvação de um mundo arruinado” que “custou o melhor sangue do século dezenove” (D&C 135:6).

O mensageiro impresso e a evidência da veracidade da Restauração sempre têm sido o Livro de Mórmon. Mais do que qualquer outro fator, foi o Livro de Mórmon que caraterizou a ascenção inicial da Igreja de Jesus Cristo e converteu um núcleo de membros leais e dedicados que formaram o alicerce sobre o qual se construiu a Igreja. Parley P. Pratt disse:

Eu o li cuidadosa e diligentemente, sim uma grande parte, sem saber que o sacerdócio havia sido restaurado, sem ter antes ouvido falar do chamado “mormonismo,” e sem ter uma noção de tal Igreja e povo. (Journal of Discourses (Revista de Discursos) [Liverpool: Latter-day Saints’ Book Depot, 1858], 193–94) 

Até antes do Pratt se encontrar com Joseph Smith, ele visitou Hyrum, o irmão do Profeta, que lhe desvendou “os detalhes da descoberta do Livro, sua tradução, o surgimento da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, a designação divina de seu irmão, Joseph, e de outros por revelação e o ministério de anjos, pelos quais o apostolado e autoridade do sacerdócio haviam sido restaurados à terra” (Autobiography of Parley P. Pratt (Autobiografia de Parley P. Pratt), redação de Parley P. Pratt Jr. [Salt Lake City: Deseret Book, 1985], 22).

“A experiência de Parley Pratt com o Livro de Mórmon não era única,” conforme comentou o Presidente Gordon B. Hinckley em tempos mais recentes. “Ao passo que os exemplares da primeira edição eram distribuídos e lidos, centenas de homens e mulheres fortes foram profundamente comovidos, de tal modo que deixaram tudo que possuíam e, nos anos seguintes, não foram poucos que até sacrificaram a própria vida por causa do testemunho que levavam no coração da veracidade deste volume tão notável” (“A Testimony Vibrant and True” [“Um Testemunho Vibrante e Fiel”], Ensign, August 2005, 3).

E a obra destes dois irmãos, Joseph e Hyrum, tão leais um ao outro e à mensagem de Cumora, tanto começou como findou pelo Livro de Mórmon, pois a última escritura que os dois homens leram juntos, logo antes de serem baleados e mortos no Cárcere de Carthage em 27 de junho de 1844, não se tratou de uma escritura bíblica, e sim um trecho do Livro de Mórmon.

Naquela mesma manhã, depois de Hyrum preparar-se para partir—dir-se-á para a chacina? sim, pois assim aconteceu?ele leu o seguinte parágrafo, quase no fim do capítulo doze de Éter, no Livro de Mórmon, e dobrou a página para marcá-la:

E aconteceu que eu orei ao Senhor a fim de que ele desse graça aos gentios, para que tenham caridade. E aconteceu que o Senhor me disse: Se eles não têm caridade, a ti isso não importa; tu tens sido fiel; portanto tuas vestes se tornarão limpas. E porque viste a tua fraqueza, serás fortalecido até que te sentes no lugar que preparei nas mansões de meu Pai. E agora . . . despeço-me dos gentios, sim, e também de meus irmãos a quem amo, até que nos encontremos perante o tribunal de Cristo, onde todos so homens saberão que minhas vestes não estão manchadas com o vosso sangue. (D&C 135:5)

“Viveu grandiosamente e morreu grandiosamente aos olhos de Deus e de seu pobo; e como a maior parte dos ungidos do Senhor na antiguidade, selou sua missão e suas obras com o próprio sangue; o mesmo fez seu irmão Hyrum. Em vida não foram divididos e na morte não foram separados!” (135:3).

(”tags” só disponíveis em inglês)



Courtesy Community of Christ Archives, Independence, Missouri.

 Blog do convidado especial Kent P. Jackson, professor de escrituras antigas.

Neste mês agora celebramos o 179º aniversário de algo que a maioria dos Santos dos Últimos Dias desconhecem. Foi em junho de 1830, apenas dois meses depois da organização da Igreja, quando o Profeta Joseph Smith iniciou o trabalho da tradução da Bíblia. Hoje em dia chamamo-la a Tradução de Joseph Smith (empregando a sigla TJS), mas o próprio Profeta a chamava de a Nova Tradução. As primeiras dezenove páginas, reveladas entre junho de 1830 e o fim daquele ano, contêm sua revisão dos primeiros capítulos de Gênesis. Quando se criou a Pérola de Grande Valor em 1851, aqueles capítulos de Gênesis foram incluídos no livro, onde permanecem até hoje. Chamam-se o Livro de Moisés.

Há algo de novo na Nova Tradução? Vamos examinar um capítulo só, o primeiro capítulo da tradução, revelada em junho de 1830.

O atual capítulo 1 do Livro de Moisés consiste no relato de uma visão que Moisés presenciou antes do Senhor revelar-lhe o relato da criação do mundo. Assim, trata-se de prefácio do livro de Gênesis. Este é um dos capítulos mais notáveis das escrituras e está repleto de doutrinas que destacam os Santos dos Últimos Dias dentre todos os outros que creem na Bíblia. Embora esta visão de Moisés seja um evento bíblico que se realizou num contexto bíblico, não há nenhuma menção dela no Velho Testamento. Não há nada semelhante na Bíblia, mas se trata de uma das grandes tesouros da Restauração—uma verdadeira pérola de grande valor.

Neste único capítulo aprendemos muito.

Moisés fala com Deus “face a face” em termos que indicam fortemente que em verdade Deus tem rosto. Aprendemos a respeito do Filho Unigênito do Pai. Ao passo que o Pai fala com Moisés e lhe ensina acerca de Jesus Cristo, a escritura nos lembra em termos claros de que o Pai e o Filho são seres divinos separados e distintos. Aprendemos também a respeito de nós mesmos: que armados só de nossos próprios recursos não somos nada. Mesmo assim, somos filhos de Deus criados à imagem e semelhança de seu Filho Unigênito e dotados de potencial enorme.

Aprendemos sobre a glória de Deus, o poder celestial que irradia dele e o rodeia. Os humanos precisam ser transfigurados para sobreviver na glória de Deus, mas Satanás só pode fingir tê-la e de fato não a possui de forma alguma. Vemos Deus e Satanás juxtapostos num contraste marcante e aprendemos que Satanás tem a necessidade patológica de ser adorado e só procura satisfazer seus próprios interesses.

Aprendemos também a respeito do poder de Deus e de suas criações assombrosas. Moisés, ao estar cercado da glória de Deus, pôde ver todas as partículas desta terra e discernir todas as almas no planeta. Até viu outros mundos habitados, mundos sem fim. Ele aprendeu que Cristo é o Criador de todos aqueles mundos e aprendeu que a obra e glória de Deus e levar a efeito a imortalidade e vida eterna de seus filhos que habitam nestes mundos.

Nem é preciso dizer que nada disso fazia parte da crença das principais igrejas cristãs na época de junho de 1830 quando o Senhor revelou estas coisas a Joseph Smith. De fato há muito de novo na Nova Tradução, e aqui só falamos do primeiro capítulo.

(”tags” só disponíveis em inglês)


“Os escritos de Joseph Smith”

POSTED BY: holzapfel

12/10/08


Joseph Smith recebeu uma revelação no dia em que a Igreja foi organizada em Fayette, Estado de Nova York (EUA) em abril de 1830: “Eis que um registro será escrito entre vós” (Doutrina e Convênios 21:1). Os eforços do Profeta neste sentido deixaram aos membros da Igreja e aos historidadores interessados um número grande de fontes primárias que nos possibilitam a reconstrução de sua vida notável. Certamente qualquer pessoa que se interessar por Joseph Smith gostará de ter à disposição mais materiais—mais cartas, minutas, diários e outros documentos escritos por ele, mas levando em conta as realidades históricas da vida do século dezenove, somos muito abençoados em ter um corpus relativamente grande de materiais aos quais podemos nos referir ao estudar sua vida e seu ministério.

Estes documentos importantes estão preservados em repositórios nos Estados Unidos, inclusive na Biblioteca de História da Igreja em Salt Lake City e no Arquivo—Biblioteca da Igreja Comunidade de Cristo em Independence, Estado de Missouri. No passado os historiadores tinham que viajar até estas bibliotecas para estudar estes documentos a fim de prepararem ensaios e livros a este respeito. Devido âs limites de espaço, eles só conseguiam reproduzir extratos destas fontes primárias—um ato em si de interpretação que só deixava para um leitor um idéia superficial do que os documentos originais revelam.

No início da década de 1970, os líderes da Igreja e pesquisadores reconheceram que seria algo proveitoso providenciar transcrições exatas destes documentos originais a uma audiência maior para pesquisa e para preservar estes documentos tão frágeis do manuseio freqüente. Depois de uma longa caminhada, a Igreja anunciou que publicaria dois mil documentos primários relativos a vida e ministério de Joseph Smith num conjunto de trinta volumes, The Joseph Smith Papers [Os escritos de Joseph Smith], organizados pelo gênero específico do material, incluindo diários, documentos, histórias, documentos administrativos, revelações, traduções inspiradas e materiais legais e comerciais.

Contando com muitas coleções públicas e institucionais, inclusive documentos de posse privativo, estes registros tão importantes abrirão uma janela que revelará mais a história de Joseph Smith e, portanto, o mundo inicial do Mormonismo. O historiador e tabelião da Igreja, o Élder Marlin K. Jensen opinou: “O estudo destas fontes históricas, especialmente na sua forma original, proverá ao estudioso um entendimento mais rico da vida do Profeta e do desenvolvimento da Igreja restaurada” (comentário a ser pubicado na revista Ensign de julho de 2009).

The Joseph Smith Papers, Quando adquiri o primeiro volume na livraria da BYU, devorei o livro—cerca de quinhentas páginas ao todo. Em primeiro lugar, é um volume atraente e bem construído—impresso em papel de alta qualidade e feito para aguentar manuseio repetitivo por muitos anos. Inclui transcrições cuidadosas de fontes originais; uma variedade de gráficos (mapas, fotografias de pessoas e exemplos de alguns dos documentos); tabelas cuidadosamente preparadas, inclusive um cronogramra detalhado, árvore genealógica e organograma eclesiástico); um glossário incrível; ensaios de introdução muito bem escritos para cada documento; anotações bem pensadas referentes aos textos e índices geográficos e biográficos bem apurados. É verdadeiramente um tesouro que vale todo centavo que paguei (US$49.95). Embora eu conhecesse os documentos publicados neste primeiro volume, as anotações e introduções deram vida ao significado e à importância dos documentos. Destaquei com lápis vermelho as passagens que me chamaram atenção. Por exemplo, no dia primeiro de abril de 1834, Joseph Smith escreveu: “Minha alma se regozija na Lei do Senhor porque Ele me perdoa os pecados” (p. 37). Muitas passagens desta natureza surpreenderão e alegrarão o leitor.

O leitor não começa na primeira página e segue lento até o fim do livro como se fosse uma biografia. Trata-se de um projeto documentário—o tipo de estudo adorado pelos acadêmicos e apreciado por aqueles que gostam de ter uma cópia original do diário de seu avô ou as cartas pessoais de sua mãe. Há algo em tais documentos que nos permite tocar o passado de uma maneira que uma obra interpretativa não consegue fazer.

 The Joseph Smith Papers [Os escritos de Joseph Smith]proporcionará uma vista pessoal e íntima da vida de Joseph Smith. Os historiadores analizarão os volumes de forma muito apurada para prover novas perspectivas refrescantes a respeito do Profeta. O livro já oferece novo entendimentos, corrige opiniões errôneas do passado e nos aproxima do mundo da época de Joseph Smith, o Profeta dos últimos dias. Agora é uma época formidável de viver! Journals, Volume 1: 1832–1839 [Os escritos de Joseph Smith, Diários, Volume 1: 1832-1839] (Salt Lake City: Church Historian’s Press, 2008) foi recém lançado na hora de comemorar a vida notável do Profeta no aniversário de seu nascimento no dia 23 de dezembro. No ano que vem um volume importante da série Revelações e Traduções aparecerá como o segundo volume impresso deste projeto. Neste volume as cópias mais antigas existentes das revelações de Joseph Smith serão cuidadosamente reproduzidas. O Élder Jensen observou: “Joseph parecia considerar os manuscritos das revelações seu trabalho mais perfeito de capturar a voz do Senhor que condescendeu a comunicar-se com os homens no que o Profeta chamava ‘a imperfeita linguagem torta, quebrada e espalhada’ dos homens” (artigo do Ensign de julho de 2009). A série iará daí para a frente.

Post tags:


Chegou na semana passada o exemplar mais recente da revista National Geographic (dezembro de 2008). Anunciava-se na capa a reportagem de destaque, “o Verdadeiro Rei Herodes.” Durante a época de Natal refletimos frequentemente no Rei Herodes devido a seu papel na história do Natal preservada no livro de Mateus. “Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos” (Mateus 2:16).

Embora eu achasse o artigo interessante, descordo com algumas de suas afirmações. Apesar do autor da National Geographic argumentar que Herodes era, “com certeza, quase inocente deste crime” (40), há ampla evidência de que Herodes, como outros reis helênicos e os próprios imperadores romanos, matava qualquer que para eles representava uma ameaça à estabilidade política do reino. O relato de Mateus é um documento de primeira mão, uma fonte judaica antiga de alguns eventos do século primeiro, gravada bem antes de Josephus, uma historiador judeu do primeiro século, relatar a história da Primeira Guerra Judaica contra os romanos (AD 66—70). A história de Mateus enfatiza os motivos e táticas de Herodes que concordam com outras fontes primárias, de modo que os historiadores modernos devem tomar muito cuidado em rejeitar o crime de Herodes ao reconstruir sua vida.

Não obstante, o artigo nos dá mais informações importantes sobre o reinado de Herodes do que os poucos incidentes mencionados no Novo Testamento. Primeiro, o artigo revela a um público mais amplo os detalhes da descoberta, no início do ano, do túmulo de Herodes. Ehud Netzer, um arqueólogo israelense eminente, tinha procurado o túmulo de Herodes por trinta anos antes da descoberta monumental. Segundo, o artigo revela, através de detalhadas descrições e desenhos reconstruídos dos projetos arquitetônicos mais importantes de Herodes, que ele era perito de construção. Seu maior empreendimento para a nação e para o judaísmo foi a reconstrução e expansão do templo de Jerusalém, mais tarde conhecido como o Templo de Herodes.

O artigo da National Geographic nos ajuda a visualizar o mundo em que viveu Jesus ao conhecermos o povo e os lugares que ele visitou. Logo após o nascimento de Cristo, José e Maria, a mãe de Jesus, aprestentaram-no ao Senhor, conforme o mandamento da tora, no templo em Jerusalém (vide Lucas 2:22-40). Lá um homem santo e uma mulher o encontraram no templo construído por Herodes e identificaram-no como o muito esperado Messias. Herodes o Grande reinou sobre a Judéia e as regiões vizinhas como rei fantoche do Império Romano—o território que presenciou o nascimento do filho unigênito de Deus, um mundo que hoje está quase desaparecido. Somente por meio dos esforços de arqueólogos e eruditos como Ehud Netzer aquele mundo volta a ser pelo menos parcialmente visível para nós. O recém descoberto túmulo de Herodes ao sudeste de Jerusalém coloca mais uma peça no mosaico, ainda em obras, do mundo do Novo Testamento.

Post tags: