Semana de Educação da BYU

POSTED BY: holzapfel

08/14/09


Blog do convidado especial Brent L. Top, professor de história e doutrina da Igreja, BYU.

Um milagre ocorre todo agosto em Provo. Já o vi com os próprios olhos. De fato, não fui só observador como também participante. O milagre é a Education Week (Semana de Educação) aqui no campus. A Brigham Young University se transforma de um dia para outro. Todos os anos, durante uma semana, as salas de aula que normalmente se enchem de jovens adultos de repente se enchem de vovozinhas e vovozinhos de cabelo grisalho, mães cansadas contentes em ter um tempinho para si mesmas, jovens emocionados procurando novos amigos e papais de carteira já vázia ao ter garantido que todos se divertissem. Os estacionamentos se enchem de trailer e os hoteis da região ficam lotadas de famílias que assistem às aulas, aos concertos e peças e a outras atividades. O leque de aulas é tão variado como as idades, feições e condições de vida dos participantes. Para cada estudante, seja um moço de quatorze anos admirado de ter pisado no campus de uma universidade pela primeira vez, ou para uma velhinha de noventa anos que nunca deixou de assistir às aulas da Semana de Educação e até, às vezes, nem parou para almoçar, há algo que possa expandir a mente, fortalecer o espírito e consolar a alma.

Este milagre reflete o profundo compromisso dos Santos dos Últimos Dias ao conceito de educação contínua, compromisso este que se baseia nas revalações da Restauração e nos ensinamentos dos profetas modernos. A educação contínua tem benefícios tanto temporais como espirituais, sim, benefícios que nutrem nossa vida terrena e nos abençoaraão por toda a eternidade. É-nos ordenado: “Buscai diligentemente e ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria” (D&C 88:118). Também devemos buscar conhecimento “em teoria, em princípio, em doutrina, na lei do evangelho, em todas as coisas pertencentes ao Reio de Deus, que vos convém compreender” (D&C 88:78). Ademais, devemos aprender “tanto as coisas do céu como da Terra e de debaixo da Terra; coisas que foram, coisas que são, coisas que logo hão de suceder; coisas que estão em casa (nacionais), coisas que estão no estrangeiro; as guerras e complexidades das nações e os julgamentos que estão sobre a terra; e também um conhecimento de países e reinos” (D&C 88:79). Nossa educação contínua há de ser tanto uma busca espiritual como intelectual e profissional. O Senhor nos ensinou que o conhecimento que adquirimos através de nosso aprendizado nos preparará em todas as coisas a fim de magnificar os chamados a que fomos preordenados (vide D&C 88:80) e ressuscitará conosco na ressurreição, sendo para nós uma vantagem na eternidade (vide D&C 130:18—19).

Levando em conta estas escrituras, não é de se admirar que a instrução, tanto formal como informal, desempenhe um papel importante na vida dos Santos dos Últimos Dias fieis. Nossa fé deve nos impulsionar adiante à busca da verdade e conhecimento de Deus. “Afinal de contas somos todos nós estudantes,” ensinou o Presidente Gordon B. Hinckley. “Se chegar o dia em que deixarmos de aprender, cuidado!

Dentro de cada um de nós há um potencial grande de continuar a aprender. Independente de nossa idade, a não ser que se tenha uma doença grave, podemos ler, estudar e assimilar os escritos de maravilhosos homens e mulheres. . . .

Devemos continuar a crescer. Devemos aprender continuamente. Trata-se de uma ordem divina, a de irmos adiante, aumentando nosso conhecimento.

Temos acesso a aulas do instituto, cursos universitários à longa distância, a semana de educação e muitas outras oportunidades em que, ao estudarmos e juntar nosso pensamento ao dos outros, descobriremos uma reserva enorme de capacidade dentro de nós mesmos. (Teachings of Gordon B. Hinckley (Os Ensinamentos de Gordon B. Hinckley) [Salt Lake City: Deseret Book, 1997], 302–3.)

Ao longo dos últimos vinte anos tenho lecionado como um dos professores da Semana da Educação. É sempre um privilégio participar porque sempre recebo mais do que dou e fico cada vez mais decidido a melhorar. Minha fé no Senhor e amor ao evangelho sempre se fortalecem quando presencio o milagre de agosto: milhares e milhares de Santos de todas as partes do mundo que realmente “entram para aprender” e então “saem para servir,” tornando-se melhores maridos, esposas, pais, mães, avós, filhos e conservos no Reino de Deus. Devido ao fato de sua vida ter sido fortalecida, eles têm mais condições de servir seu próximo ao longo das semanas e anos que vêm. Isso realmente se trata de um milagre!


Joseph e Hyrum Smith

POSTED BY: holzapfel

06/26/09


Blog do convidado especial Richard E. Bennett, professor de história e doutrina da Igreja.

O sucesso do movimento da Reformação Protestante se deve à tradução e à edição de um livro. Certamente foram indispensáveis para o sucesso final da Reformação os esforços de tais mártires antigos como John Wycliffe, e, mais tarde. os esforços dos reformadores tais como William Tyndale e Martinho Lutero, os quais imprimiram e disseminaram a Santa Bíblia, graças à invenção prévia de tipo móvel e da imprensa por Johann Gutenberg. Naquela época procuraram muitas vezes incendiar os livros numa tentativa de destruir o poder da palavra impressa, mas não havia incêndio que pudesse impedir o avanço deste maré de reforma religiosa.

Assim também a Restauração do evangelho de Jesus Cristo dependia em grande parte do poder da publicação de outro livro. Neste dia, o 165º aniversário do martírio de Joseph e Hyrum Smith, convém dar uma paradinha e lembrar-nos de sua causa. Os historiadores continuam a oferecer um monte de explicações imediatas pelo martírio: a destruição da imprensa do jornal Nauvoo Expositor, a extradição proposta pelos missourianos, o assunto da separação da Igreja do Estado levantado por Thomas C. Sharp, a intriga de John C. Bennett e um grupo de ex-Santos dos Últimos Dias desafetados, a poligamia?a lista continua e continua.

Porém, pode ser que convenha nos lembrar de que John Taylor, uma testemunha ocular do assassinato, não o atribuiu, conforme consta na seção 135 de Doutrina e Convênios, a estes fatos, e sim à publicação de dois novos livros de escrituras. John Taylor declarou que era o surgimento do Livro de Mórmon e do livro de Doutrina e Convênios “para a salvação de um mundo arruinado” que “custou o melhor sangue do século dezenove” (D&C 135:6).

O mensageiro impresso e a evidência da veracidade da Restauração sempre têm sido o Livro de Mórmon. Mais do que qualquer outro fator, foi o Livro de Mórmon que caraterizou a ascenção inicial da Igreja de Jesus Cristo e converteu um núcleo de membros leais e dedicados que formaram o alicerce sobre o qual se construiu a Igreja. Parley P. Pratt disse:

Eu o li cuidadosa e diligentemente, sim uma grande parte, sem saber que o sacerdócio havia sido restaurado, sem ter antes ouvido falar do chamado “mormonismo,” e sem ter uma noção de tal Igreja e povo. (Journal of Discourses (Revista de Discursos) [Liverpool: Latter-day Saints’ Book Depot, 1858], 193–94) 

Até antes do Pratt se encontrar com Joseph Smith, ele visitou Hyrum, o irmão do Profeta, que lhe desvendou “os detalhes da descoberta do Livro, sua tradução, o surgimento da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, a designação divina de seu irmão, Joseph, e de outros por revelação e o ministério de anjos, pelos quais o apostolado e autoridade do sacerdócio haviam sido restaurados à terra” (Autobiography of Parley P. Pratt (Autobiografia de Parley P. Pratt), redação de Parley P. Pratt Jr. [Salt Lake City: Deseret Book, 1985], 22).

“A experiência de Parley Pratt com o Livro de Mórmon não era única,” conforme comentou o Presidente Gordon B. Hinckley em tempos mais recentes. “Ao passo que os exemplares da primeira edição eram distribuídos e lidos, centenas de homens e mulheres fortes foram profundamente comovidos, de tal modo que deixaram tudo que possuíam e, nos anos seguintes, não foram poucos que até sacrificaram a própria vida por causa do testemunho que levavam no coração da veracidade deste volume tão notável” (“A Testimony Vibrant and True” [“Um Testemunho Vibrante e Fiel”], Ensign, August 2005, 3).

E a obra destes dois irmãos, Joseph e Hyrum, tão leais um ao outro e à mensagem de Cumora, tanto começou como findou pelo Livro de Mórmon, pois a última escritura que os dois homens leram juntos, logo antes de serem baleados e mortos no Cárcere de Carthage em 27 de junho de 1844, não se tratou de uma escritura bíblica, e sim um trecho do Livro de Mórmon.

Naquela mesma manhã, depois de Hyrum preparar-se para partir—dir-se-á para a chacina? sim, pois assim aconteceu?ele leu o seguinte parágrafo, quase no fim do capítulo doze de Éter, no Livro de Mórmon, e dobrou a página para marcá-la:

E aconteceu que eu orei ao Senhor a fim de que ele desse graça aos gentios, para que tenham caridade. E aconteceu que o Senhor me disse: Se eles não têm caridade, a ti isso não importa; tu tens sido fiel; portanto tuas vestes se tornarão limpas. E porque viste a tua fraqueza, serás fortalecido até que te sentes no lugar que preparei nas mansões de meu Pai. E agora . . . despeço-me dos gentios, sim, e também de meus irmãos a quem amo, até que nos encontremos perante o tribunal de Cristo, onde todos so homens saberão que minhas vestes não estão manchadas com o vosso sangue. (D&C 135:5)

“Viveu grandiosamente e morreu grandiosamente aos olhos de Deus e de seu pobo; e como a maior parte dos ungidos do Senhor na antiguidade, selou sua missão e suas obras com o próprio sangue; o mesmo fez seu irmão Hyrum. Em vida não foram divididos e na morte não foram separados!” (135:3).

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