Hosana!

POSTED BY: holzapfel

03/26/09


Muitos Santos recém assistiram a uma das doze sessões dedicatórias do Templo de Draper Utah, o centésimo vigésimo nono templo em funcionamento, que se realizou nos dias 20 a 22 de março. Além disso, dezenas de milhares de membros participaram da sessão de domingo à tarde através de uma transmissão a capelas e sedes de estaca por todo o estado de Utah. Para muitos foi um dia de júbilo cheio de emoção, gratidão e grande renovação espiritual.

Um aspecto importante das dedicações de templo é o do sagrado brado de hosana que se deu pela primeira vez no Templo de Kirtland em 27 de março de 1836 (sendo amanhã o aniversário de sua dedicação). Esta expressão poderosa de louvor e adoração tem sido repetida em todas as dedicações dos templos, inclusive o de Draper.

Uns anos atrás eu fiz uma pesquisa sobre a história do Templo de Salt Lake. Descobri que se fez o sagrado brado de hosana com relação ao templo de Salt Lake pela primeira vez em 6 de abril de 1892, na cerimônia de colocação da capeia e, pela segunda vez em várias sessões dedicatórias a partir de 6 de abril de 1893.

Na cerimônia da capeia, o Presidente George Q. Cannon, um conselheiro da Primeira Presidência, disse: “para que não haja mal-entendidos acerca do modo de fazer o brado de hosana, ao colocar a capeia, o Presidente Lorenzo Snow ensinará a congregação a fazê-lo.” Então o Presidente Snow disse: “Este não se trata de um rito comum, e sim—e queremos que todos entendam—um brado sagrado utilizado somente em ocasiões extraordinárias como esta que está perante nós.” Ele os incentivou com as seguintes palavras: “Desejamos que ao pronunciarem o brado os Santos sintam que vem do coração. Que seu coração se encha de gratidão,” e acresentou: “Agora, ao chegarmos à frente do templo e ao fazer o brado, queremos que todo homem e toda mulher clamem as palavras com toda a força de sua voz, para que todas as casas nesta cidade tremam e todas as pessoas de todas as regiões desta cidade ouçam e que o brado chegue aos mundos eternos.” Por fim ele disse à congregação que o sagrado brado “foi clamado nos céus quando ‘todos os filhos de Deus jubilavam’ [Jó 38:7].”

B. H. Roberts escreveu o seguinte a respeito do brado: “Quando milhares e até dezenas de milhares de pessoas dão voz ao brado, unidas e com o máximo de poder, é muito inspirador e impressionante. É impossível não se emocionar em tais ocasiões. Parece encher o local de ondas sonoras; e o brado de soldados que vão à batalha não chega a ser mais emocionante. Este clamor dá expressão às emoções religiosas e é seguido de um sentimento de assombro reverente, um sentimento de união com Deus.”

Conforme os relatórios, cerca de cinquenta mil pessoas estavam presentes na praça do templo naquele evento tão especial e havia mais milhares que presenciavam dos telhados e janelas do edifícios adjacentes e até dos postes de energia elétrica. As ruas próximas ao templos estavam repletas daqueles que procuravam presenciar as cerimônias do dia. “Havia tamanha horda de humanidade que as pessoas quase que foram esmagadas,” notou Joseph Dean. “O quarteirão todo era uma grande massa de humanidade. Depois que as pessoas se acomodaram no local, como podiam, começou-se a cerimônia.” Foi, até aquele momento a maior reunião da história do estado de Utah, um recorde que ficou imbatível por muitas décadas.

Quando a pedra de granito mais elevada foi colocada no lugar, o Presidente Snow dirigiu os Santos que clamaram: “Hosana! Hosana! Hosana! a Deus e ao Cordeiro! Amém! Amém! Amém!” Este louvor sincero de gratidão foi repetida três vezes com força crescente enquanto os participantes abanavam com lenços brancos. “O espetáculo e efeito desta mostra de união,” conforme anotou uma das testemunhas, “foram grandiosos ao ponto de desafiar qualquer descrição, sendo as emoções da multidão inspiradas à maior intensidade de devoção e de entusiasmo.”

John Lingren, um visitante de Idaho Falls, observou: “A cena . . . [era] impossível de descrever pelo poder da língua humana. . . . Os olhos de milhares de encheram de lágrimas da plenitude de alegria que sentiam. A terra parecia tremer com o volume dos sons que ecoavam até os outeiros que nos rodeavam.” Outra testemumha ocular escreveu: “Todo o mundo bradou o mais alto possível enquanto os lenços acenavam, o efeito era indescritível.”

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Dez Anos Já!

POSTED BY: holzapfel

03/20/09


Há dez anos que publicamos o Religious Educator [o Professor de Religião] (TRE). Quando Robert L. Millet (o então reitor de Educação Religiosa da BYU) me pediu que liderasse este novo empreendimento, fui obrigado a pensar em que segmento posicionar o TRE. Ao longo dos anos tenho descoberto que é importante recrutar autores específicos para preparar artigos para incrementar os artigos submetidos por vias normais.No ano passado, ao aproximar-nos do décimo ano de edição, eu resolvi que seria interessante identificar alguns dos melhores artigos do TRE e re-publicá-los num volume de capa mole. Primeiro, porque por meio deste livro apresentaríamos o TRE a uma nova geração de leitores e, segundo, a edição do livro possibilitaria que os artigos mais procurados se tornassem mais disponíveis sem que os leitores tivessem que pagar tanto dinheiro para adquirirem os volumes antigos do TRE de edições já esgotadas.

Por fim resolvi fazer dois volumes separados: o primeiro (Teach One Another Words of Wisdom: Selections from the Religious Educator [Ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria: Seleções do Religious Educator] editada em fevereiro de 2009) tem enfoque em artigos de ensino e devoção e o segundo (By Study and by Faith: Selections from the Religious Educator [Pelo estudo e pelo fé: Seleções do Religious Educator]; publicada em março de 2009) focaliza-se em conteúdo doutrinário, histórico e das escritruas. Este segundo volume foi lançado na semana passada. Por tradição, dediquei um tempo para folheá-lo e quando terminei, mais ou menos uma hora depois, clamei em voz alta: “Puxa! Que grande volume!” Surpreenderam-me tanto a alta qualidade como a quantia grande de excelentes artigos bem-pensados que têm aparecido ao longo dos anos no TRE. Alguns já se tornaram clássicos e esta nova publicação destacará ainda outros.

Os Élderes David A. Bednar, D. Todd Christofferson, Jay E. Jensen e Neil A. Maxwell já nos deram muito que contemplar. Meus colegas Richard E. Bennett, Paul Y. Hoskisson, Kent P. Jackson, Frank F. Judd Jr., Joseph Fielding McConkie, Robert L. Millet, Kerry Muhlestein, Paul H. Peterson, Dana M. Pike, David R. Seely e Thomas A. Wayment também nos deram coisas interessantes em que pensarmos que certamente expandirão nosso conhecimento das coisas de Deus.

Utilizarei alguns destes artigos nas minhas aulas. Por exemplo, Kent P. Jackson, Frank E. Judd Jr. e David R. Seely nos proporcionaram recursos maravilhosos que todas as pessoas que leem a Bíblia com certeza vão querer estudar: “Chapters, Verses, Punctuation, Spelling, and Italics in the King James Version” [“Capítulos, versículos, ortografia e letra itálica na Versão do Rei James da Bíblia (inglesa)”] (203–30). Pode ser que esta seja uma das ajudas mais valiosas que qualquer estudante da Bíblia possa ler para melhor entender a palavra bíblica impressa. Enfim, participar do diálogo destes autores pode nos ajudar a apreciar mais e de formas novas as escrituras e a Restauração e, o que é de mais importante, inspirar-nos a maior devoção.

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Um Povo de Paradoxos

POSTED BY: holzapfel

03/11/09


O Departamento de História e Doutrina da BYU recém patrocinou uma palestra apresentada pelo convidado Terry L. Givens, professor de literatura e religião, e catedrático da Universidade de Richmond e tetentor da cadeira de inglês em homenagem a James A. Bostwick. Tais oportunidades possibilitam que os membros do corpo docente da BYU conheçam professores bem conhecidos de outras partes do mundo.

Interessei-me em particular numa das preleções durante sua visita ao longo de uma semana. Tratou-se de um follow-up acerca de seu livro Um Povo de Paradoxos: A História da Cultura Mórmon (New York: Oxford University Press, 2007). Eu recomendo este livro por seu tratamento atento do o mormonismo e os mórmons. Na verdade se trata de um verdadeiro a tour de force!

Devem recordar que um paradoxo é “uma declaração que aparenta contradizer-se, mas que pode ser verdadeira” (The American Heritage Dictionary of the English Language). Eu antes sentia muita tensão perante tais contradições, mas acostumei-me à noção de paradoxos logo que reconheci que o maior paradoxo de todos é que Jesus morreu para que vivêssemos.

Givens primeiro discute “a polaridade do autoritário e do individualista” (xiv), em seguida contrasta o que o Profeta ensinou a respeito do que já sabemos em contrapartida com nosso programa otimista de “aprendizado eterno” (xv).

Logo ele analisa o entendimento que o Profeta tinha de que “Deus é um homem exaltado e o homem um Deus em embrião.” Givens observa que “o paradoxo resultante deste conceito se manifesta na invasão repetida do banal entre os do reino do sagrado e a infusão do santo no mundo do cotidiano” (xv). Por fim ele fala das “duas tensões inter-relaciondas do mormonismo: o exílo e a integração, bem como um evangelho encarado tanto como americano como universal” (xv).

Durante as suas horas com o corpo docente, Givens examinou mais um paradoxo—”o impulso atraente de assimilação e o da inovação por parte do Profeta.” Acredito que ele tem razão neste ponto. Os Santos dos Últimos Dias tendem a destacar as inovações do Profeta (ele restaurou a doutrina que havia sido “escondida desde a fundação do mundo ” (Doutrina e Convênios 124:41). Porém, ao mesmo tempo Joseph Smith também assimilava as verdades do mundo a seu redor, dizendo: “Se os presbiterianos tiverem uma verdade, nós a abraçaremos. Os batistas, metodistas etc., se receberem tudo que é bom no mundo, se tornarão puros mórmons” (The Words of Joseph Smith [Provo, UT: Religious Studies Center, Brigham Young University, 1980], 234). Não seria nada demais identificarmos as verdades que ele achou nas tradições de outras fés, prestando atenção a como ele as adotou e adaptou como parte da mensagem que proclamou. Isto não diminui em nada o monte de revelação que lhe fluia constantemente dos céus no seu chamado de ungido do Senhor.

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