Durante o mês de dezembro é possível que alguns de nós reflitamos naquele dia de inverno no Estado de Vermont onde, numa casinha de roça, no ano de 1805, Joseph Smith Jr. entrou neste mundo. Ou talvez contemplemos uma tardinha abafada e de calor numa quinta-feira em junho de 1844 quando o Profeta partiu deste mundo.

Ao longo de sua vida, Joseph Smith desempenhou muitos papéis—filho obediente, pai amoroso, vizinho gentil, líder visionário de várias comunidades e, sobretudo, um profeta de Deus.

Desde o princípio os profetas têm recebido certos deveres. Noé construiu a arca. Moisés libertou os filhos de Israel da cruel escravidão. Josué guiou os israelitas à terra prometida. Leí e Jeremias advertiram os habitantes de Jerusalem a respeito do exílio que estava para vir. Pedro e Paulo levaram o evangelho às nações da terra. Mas não importava qual fosse a designação específica de cada um deles, todos eles prestaram testemunho e eram testemunhas do Senhor.

Não era nada diferente para Joseph Smith. Ele recebeu numerosas designações do Senhor. Não obstante o maior e mais importante papel que desempenhou como profeta foi o de ser uma testemunha, nos tempos modernos, de Jesus Cristo. Em 1820 Joseph Smith registrou: “Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!” (Joseph Smith—História 1:17).

No ano de 1832, Joseph e Sidney Rigdon testificaram: “Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai” (Doutrina e Convênios 76:23).

Em 1836, Joseph e Oliver Cowdery testificaram: “Vimos o Senhor de pé no parapeito do púlpito, diante de nós; e sob seus pés havia um calcamento de ouro puro, da cor de âmbar. Seus olhos eram como uma labareda de fogo; os cabelos de sua cabeça eram brancos como a pura neve; seu semblante resplandecia mais do que o brilho do sol; e sua voz era como o ruído de muitas águas, sim, a voz de Jeová” (Doutrina e Convênios 110:2-3).

O ministério profético de Joseph Smith pode ser facilmente divido em dois deveres separados porém relacionados.

Primeiro, o Profeta foi chamado para testificar que Jesus era o Salvador e Redentor. Ele cumpriu com o dever principalmente através de traduzir e publicar o Livro de Mórmon e estabelecer a Igreja de Jesus Cristo. O Livro de Mórmon e a Igreja focalizam na expiação de Cristo, e no arrependimento, na salvação e na vida eterna. Esta primeira designação culminou na restauração dos primeiros princípios e ordenanças do evangelho, que possibilitam nossa entrada no reino celeste. Tudo isso se chama “a plenitude do evangelho de Jesus Cristo.”

Segundo, o Profeta foi chamado para testificar de Jesus como o “autor e aperfeiçoador de nossa fé.”Ele fez isso através das revelações que recebeu, a partir de 1832, acerca de exaltação e vidas eternas (vide Doutrina e Convênios 76, 84, 88 e 93). Esta última designação culminou na revelação da cerimônia do templo em que os Santos dos Últimos Dias recebem ordenanças da Igreja do Primogênito que os permitem entrar na presença de Eloim, se forem dignos.

Todas as bênçãos e promessas que participamos aos habitantes da terra vêm por meio de Jesus Cristo—o próprio filho de Deus. Certamente tudo isso são “boas novas.” Sem Jesus Cristo, não temos nada. Joseph Smith disse no dia 12 de maio de 1844, apenas umas semanas antes de seu martírio: “O Salvador tem as palavras da vida eterna—nada mais do que isso nos é proveitoso” (Andrew F. Ehat e Lyndon W. Cook, redatores, Words of Joseph Smith (As Palavras de Joseph Smith) [Provo, UT: Religious Studies Center (CER), Universidade Brigham Young, 1980], 365).

Ao escutarmos o testemunho de Jesus Cristo dado por Joseph, ouvimos a voz de Jesus porque “Jesus ungiu o Profeta e Vidente” (William W. Phelps, “Praise to the Man [Hoje ao Profeta rendamos louvores],” Hymns [Salt Lake City: The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 1985), no. 27).

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“Os escritos de Joseph Smith”

POSTED BY: holzapfel

12/10/08


Joseph Smith recebeu uma revelação no dia em que a Igreja foi organizada em Fayette, Estado de Nova York (EUA) em abril de 1830: “Eis que um registro será escrito entre vós” (Doutrina e Convênios 21:1). Os eforços do Profeta neste sentido deixaram aos membros da Igreja e aos historidadores interessados um número grande de fontes primárias que nos possibilitam a reconstrução de sua vida notável. Certamente qualquer pessoa que se interessar por Joseph Smith gostará de ter à disposição mais materiais—mais cartas, minutas, diários e outros documentos escritos por ele, mas levando em conta as realidades históricas da vida do século dezenove, somos muito abençoados em ter um corpus relativamente grande de materiais aos quais podemos nos referir ao estudar sua vida e seu ministério.

Estes documentos importantes estão preservados em repositórios nos Estados Unidos, inclusive na Biblioteca de História da Igreja em Salt Lake City e no Arquivo—Biblioteca da Igreja Comunidade de Cristo em Independence, Estado de Missouri. No passado os historiadores tinham que viajar até estas bibliotecas para estudar estes documentos a fim de prepararem ensaios e livros a este respeito. Devido âs limites de espaço, eles só conseguiam reproduzir extratos destas fontes primárias—um ato em si de interpretação que só deixava para um leitor um idéia superficial do que os documentos originais revelam.

No início da década de 1970, os líderes da Igreja e pesquisadores reconheceram que seria algo proveitoso providenciar transcrições exatas destes documentos originais a uma audiência maior para pesquisa e para preservar estes documentos tão frágeis do manuseio freqüente. Depois de uma longa caminhada, a Igreja anunciou que publicaria dois mil documentos primários relativos a vida e ministério de Joseph Smith num conjunto de trinta volumes, The Joseph Smith Papers [Os escritos de Joseph Smith], organizados pelo gênero específico do material, incluindo diários, documentos, histórias, documentos administrativos, revelações, traduções inspiradas e materiais legais e comerciais.

Contando com muitas coleções públicas e institucionais, inclusive documentos de posse privativo, estes registros tão importantes abrirão uma janela que revelará mais a história de Joseph Smith e, portanto, o mundo inicial do Mormonismo. O historiador e tabelião da Igreja, o Élder Marlin K. Jensen opinou: “O estudo destas fontes históricas, especialmente na sua forma original, proverá ao estudioso um entendimento mais rico da vida do Profeta e do desenvolvimento da Igreja restaurada” (comentário a ser pubicado na revista Ensign de julho de 2009).

The Joseph Smith Papers, Quando adquiri o primeiro volume na livraria da BYU, devorei o livro—cerca de quinhentas páginas ao todo. Em primeiro lugar, é um volume atraente e bem construído—impresso em papel de alta qualidade e feito para aguentar manuseio repetitivo por muitos anos. Inclui transcrições cuidadosas de fontes originais; uma variedade de gráficos (mapas, fotografias de pessoas e exemplos de alguns dos documentos); tabelas cuidadosamente preparadas, inclusive um cronogramra detalhado, árvore genealógica e organograma eclesiástico); um glossário incrível; ensaios de introdução muito bem escritos para cada documento; anotações bem pensadas referentes aos textos e índices geográficos e biográficos bem apurados. É verdadeiramente um tesouro que vale todo centavo que paguei (US$49.95). Embora eu conhecesse os documentos publicados neste primeiro volume, as anotações e introduções deram vida ao significado e à importância dos documentos. Destaquei com lápis vermelho as passagens que me chamaram atenção. Por exemplo, no dia primeiro de abril de 1834, Joseph Smith escreveu: “Minha alma se regozija na Lei do Senhor porque Ele me perdoa os pecados” (p. 37). Muitas passagens desta natureza surpreenderão e alegrarão o leitor.

O leitor não começa na primeira página e segue lento até o fim do livro como se fosse uma biografia. Trata-se de um projeto documentário—o tipo de estudo adorado pelos acadêmicos e apreciado por aqueles que gostam de ter uma cópia original do diário de seu avô ou as cartas pessoais de sua mãe. Há algo em tais documentos que nos permite tocar o passado de uma maneira que uma obra interpretativa não consegue fazer.

 The Joseph Smith Papers [Os escritos de Joseph Smith]proporcionará uma vista pessoal e íntima da vida de Joseph Smith. Os historiadores analizarão os volumes de forma muito apurada para prover novas perspectivas refrescantes a respeito do Profeta. O livro já oferece novo entendimentos, corrige opiniões errôneas do passado e nos aproxima do mundo da época de Joseph Smith, o Profeta dos últimos dias. Agora é uma época formidável de viver! Journals, Volume 1: 1832–1839 [Os escritos de Joseph Smith, Diários, Volume 1: 1832-1839] (Salt Lake City: Church Historian’s Press, 2008) foi recém lançado na hora de comemorar a vida notável do Profeta no aniversário de seu nascimento no dia 23 de dezembro. No ano que vem um volume importante da série Revelações e Traduções aparecerá como o segundo volume impresso deste projeto. Neste volume as cópias mais antigas existentes das revelações de Joseph Smith serão cuidadosamente reproduzidas. O Élder Jensen observou: “Joseph parecia considerar os manuscritos das revelações seu trabalho mais perfeito de capturar a voz do Senhor que condescendeu a comunicar-se com os homens no que o Profeta chamava ‘a imperfeita linguagem torta, quebrada e espalhada’ dos homens” (artigo do Ensign de julho de 2009). A série iará daí para a frente.

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Chegou na semana passada o exemplar mais recente da revista National Geographic (dezembro de 2008). Anunciava-se na capa a reportagem de destaque, “o Verdadeiro Rei Herodes.” Durante a época de Natal refletimos frequentemente no Rei Herodes devido a seu papel na história do Natal preservada no livro de Mateus. “Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos” (Mateus 2:16).

Embora eu achasse o artigo interessante, descordo com algumas de suas afirmações. Apesar do autor da National Geographic argumentar que Herodes era, “com certeza, quase inocente deste crime” (40), há ampla evidência de que Herodes, como outros reis helênicos e os próprios imperadores romanos, matava qualquer que para eles representava uma ameaça à estabilidade política do reino. O relato de Mateus é um documento de primeira mão, uma fonte judaica antiga de alguns eventos do século primeiro, gravada bem antes de Josephus, uma historiador judeu do primeiro século, relatar a história da Primeira Guerra Judaica contra os romanos (AD 66—70). A história de Mateus enfatiza os motivos e táticas de Herodes que concordam com outras fontes primárias, de modo que os historiadores modernos devem tomar muito cuidado em rejeitar o crime de Herodes ao reconstruir sua vida.

Não obstante, o artigo nos dá mais informações importantes sobre o reinado de Herodes do que os poucos incidentes mencionados no Novo Testamento. Primeiro, o artigo revela a um público mais amplo os detalhes da descoberta, no início do ano, do túmulo de Herodes. Ehud Netzer, um arqueólogo israelense eminente, tinha procurado o túmulo de Herodes por trinta anos antes da descoberta monumental. Segundo, o artigo revela, através de detalhadas descrições e desenhos reconstruídos dos projetos arquitetônicos mais importantes de Herodes, que ele era perito de construção. Seu maior empreendimento para a nação e para o judaísmo foi a reconstrução e expansão do templo de Jerusalém, mais tarde conhecido como o Templo de Herodes.

O artigo da National Geographic nos ajuda a visualizar o mundo em que viveu Jesus ao conhecermos o povo e os lugares que ele visitou. Logo após o nascimento de Cristo, José e Maria, a mãe de Jesus, aprestentaram-no ao Senhor, conforme o mandamento da tora, no templo em Jerusalém (vide Lucas 2:22-40). Lá um homem santo e uma mulher o encontraram no templo construído por Herodes e identificaram-no como o muito esperado Messias. Herodes o Grande reinou sobre a Judéia e as regiões vizinhas como rei fantoche do Império Romano—o território que presenciou o nascimento do filho unigênito de Deus, um mundo que hoje está quase desaparecido. Somente por meio dos esforços de arqueólogos e eruditos como Ehud Netzer aquele mundo volta a ser pelo menos parcialmente visível para nós. O recém descoberto túmulo de Herodes ao sudeste de Jerusalém coloca mais uma peça no mosaico, ainda em obras, do mundo do Novo Testamento.

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