Recordar e Festejar nossa História Global

POSTED BY: holzapfel

07/23/09


Blog do convidado especial, Reid L. Neilson, professor assistente de história da Igreja e de doutrina da BYU.
De modo geral, o Dia do Pioneiro (dia 24 de julho) nos traz imagens de carroções e de carroças puxadas à mão a caminho de Utah no Oeste dos Estados Unidos. Tal ideia da história da Igreja é míope, porém, pois torna obscuros os esforços dos Santos dos Últimos Dias pelo mundo afora. Felizmente o historiador Andrew Jenson fez de tudo para expandir a visão histórica dos membros da Igreja, algo de que devemos nos lembrar nesta época do ano de homenagem ao pioneiro.

Ao trabalhar no Departamento de História da Igreja em Salt Lake City, Jenson foi mandado pela Primeira Presidência para visitar o campo missionário nas áreas fora da América do Norte. Esse dinamarquês corajoso partiu de Salt Lake City em 11 de maio de 1895 e só voltou à Cidade dos Santos em 4 de junho de 1897. Ao longo de sua viagem, sozinho, de vinte e cinco meses de circunavegação do mundo, Jenson passou pelas seguintes ilhas, nações e terras (em ordem cronológica): as Ilhas do Havaí, Fiji, o Reino deTonga, Samoa, a Nova Zelândia, as Ilhas Cook, o Arquipélago Sociedade, as Ilhas Tuamotu, a Austrália, Ceilão, o Egito, a Síria, a Palestina, a Itália, a França, a Dinamarca, a Noruéga, a Suécia, a Prússia, Hanôver, a Saxônia, a Bavária, a Suíça, a Holanda, a Inglaterra, o País de Gales, a Irlanda e a Escócia. Ele percorreu 91.494 quilômetros de vários navios e barcos por via marítima, de ferrovia, de carroça, de jinriquixá, a cavalo, burro e camelo por via terrestre. Jenson foi o primeiro Santo dos Últimos Dias a visitar todas as missões então existentes, fora as missões da América do Norte, depois do início da evangelização da Bacia Pacífica na década de 1840.

Em muitos sermões e até em discursos na conferência geral, Jenson pregou a importância de manter registros. “Se não houvesse os escritores . . . que pertenciam à Igreja original, o que saberíamos dos feitos de Cristo?” Em certa ocasião, Jenson lançou um desafio aos Santos dos Últimos Dias: “E se ninguém os tivesse gravado junto a outros dizeres lindos de Cristo e seus apóstolos, o que teríamos sabido do ministério de Cristo e dos apóstolos? Teríamos só umas ideias obscuras passadas a nós por tradição, as quais nos desviariam mais do caminho do que nos orientariam.” Em outras palavras, se não tivesse havido escritores e historiadores nas dispensações de outrora, não existiriam nem as escrituras hebraicas nem as cristãs. Da mesma forma, nós ficaremos sem orientação nesta dispensação, segundo o ensinamento dele, se os membros não mantiverem histórias eclesiásticas e pessoais. Sua percepção espiritual do destino, junto com um espírito sem par de trabalhador, formaram a vida e a obra de Jenson. Basta pesquisar o catálago da Biblioteca de História da Igreja para os trabalhos de Jenson para adquirirmos uma visão da extensão de seus esforços.

Eu já argumentei que a história da Igreja consiste na história SUD global. Os Santos dos Últimos Dias da América do Norte precisam entender que grande parte de nossa história interessante ocorreu no exterior. Devemos sempre nos lembrar de que a restauração do evangelho ocorre sempre que se dedica um novo país, pela autoridade apostólica, para o proselitismo. Em outras palavras, a restauração original em Nova York em 1830 foi, em grande parte, repetida na Grã Bretanha em 1837, no Japão em 1901, no Brasil em 1935, na Gana em 1970, na Rússia em 1989 e na Mongólia em 1992. Os historidadores Mórmons necessitam refocar seus trabalhos de pesquisa, partindo de Palmyra, Kirtland, Nauvoo e Salt Lake City para Tóquio, Santiago, São Paulo, Varsóvia, Johannesburgo e Nairóbi. Estas cidades internacionais e suas histórias se tornarão cada vez mais importantes na nossa sagrada história. Precisa-se contar tais histórias de todo o mundo com mais frequência e mais perfeição. Neste sentido Jenson era um homem de visão muito adiantada. No final do século dezenove, este trabalhador sem igual do Escritório do Historiador da Igreja tinha a visão e vontade de dedicar dois anos de sua vida para documentar a Igreja global e seus membros. Louis Reinwand observou: “Jenson desempenhou um papel crucial em manter viva a ideia de uma Igreja universal. Ele foi o primeiro a insistir que a história Mórmon inclui alemães, ingleses, escandinavos, tonganeses, brasileiros e outros grupos nacionais e culturais e que a história dos Santos dos Últimos Dias deve ser escrita em várias línguas para o benefício dos que não falam inglês como língua mãe” (“Andrew Jenson, Latter-day Saint Historian [Andrew Jenson, historiador SUD],” BYU Studies 14, no. 1 [Autumn 1973]: 44).


“E depois nos dirigimos a Roma”

POSTED BY: holzapfel

07/07/09


Há quase dois mil anos Lucas preparou uma obra em duas partes, ou seja, o Evangelho de São Lucas e o livro dos Atos dos Apóstolos, mas o que se conta nelas é tão reanimador e emociante como uma história moderna. Ele estva em muito boa forma ao escrever os últimos dois capítulos de Atos, os quais contêm uma das maiores narrativas do passado sobre viagens ao alto-mar (vide Atos 27–28). Paulo já havia languescido por dois anos na prisão da capital provinciana romana da Judeia quando Lucas iniciou esta parte muito conhecida do relato: “E, como se determinou que havíamos de navegar para a Itália, entregaram Paulo, e alguns outros presos, a um centurião por nome de Júlio, da coorte augusta” (Atos 27:1).

Lucas nos deu um relato dramático da tempestade, da advertência e do naufrágio. Paulo, que era conhecido como missionário incansável que procura salvar o mundo, de fato salvou a tripulação, os soldados e os prisioneiros. Acharam refúgio numa ilha, provavelmente a de Malta, e depois de três meses, embarcaram num navio graneleiro provindo de Alexandria, Egito, rumo a Roma.

Lucas continuou, “E, chegando a Siracusa [na Sicília], ficamos ali três dias. De onde, indo costeando, viemos a Régio; e soprando, um dia depois, um vento do sul, chegamos no segundo dia a Potéoli [a atual Pozzuoli, logo ao norte de Nápoles]” (Atos 28:12–13).

Durante os últimos quinze anos tenho retraçado as viagens de Paulo. Trata-se não somente de um projeto profissional (leciono o Novo Testamento) mas também uma busca pessoal—Paulo me interessa muito há um tempão. No domingo passado, por fim visitei um local que está há muito tempo na minha lista de lugares que eu gostaria de conhecer—Pozzuoli. Com um ex-companheiro de missão, Steve Smoot, na direção, chegamos a esta cidadezinha calma na costa italiana.

Pozzuoli recém apareceu no noticiário. Só na semana passada, arqueólogos desenterraram um busto em mármore do imperador romano Tito, o qual havia destruído Jerusalém e o templo em 70 AD.

Voltando ao livro de Atos, o relato de Lucas agora passa de narrativa marítima à viagem por terra com seis palavras cheias de emoçaõ: “E depois nos dirigimos a Roma” (Atos 28:14). Naturalmente, Roma foi a destinação final da jornada, mas, o que é de mais importante, a chegada a Roma representou o ponto culminante do relato do livro de Atos—Paulo agora proclamaria “as boas novas” em Roma, o centro do próprio império.

Para mim, a melhor parte da visita aos locais históricos é que daquele dia em diante sinto algo diferente ao ensinar a história sobre ao local. Como Lucas, vou poder proporcionar um retrato em palavras a meus estudantes. Neste caso, descreverei o Mar Mediterrâneo tão azul, a praia apinhada de barcos, redes e pássaros e cercado de morros no horizonte em Pozzuoli. Na minha lembrança levarei um retrato de Paulo, subindo os barrancos que separam a aldeia da planície lá em cima, dando início a sua caminhada a Roma. Lembrar-me-ei do calor, da humidade e do cheiro da água do mar e dos peixes. Meus alunos viajarão comigo ao viajarmos com Lucas e Paulo por Pozzuoli a caminho de Roma ao estudarmos o relato desta viagem do Apóstolo Paulo.