Semana de Educação da BYU

POSTED BY: holzapfel

08/14/09


Blog do convidado especial Brent L. Top, professor de história e doutrina da Igreja, BYU.

Um milagre ocorre todo agosto em Provo. Já o vi com os próprios olhos. De fato, não fui só observador como também participante. O milagre é a Education Week (Semana de Educação) aqui no campus. A Brigham Young University se transforma de um dia para outro. Todos os anos, durante uma semana, as salas de aula que normalmente se enchem de jovens adultos de repente se enchem de vovozinhas e vovozinhos de cabelo grisalho, mães cansadas contentes em ter um tempinho para si mesmas, jovens emocionados procurando novos amigos e papais de carteira já vázia ao ter garantido que todos se divertissem. Os estacionamentos se enchem de trailer e os hoteis da região ficam lotadas de famílias que assistem às aulas, aos concertos e peças e a outras atividades. O leque de aulas é tão variado como as idades, feições e condições de vida dos participantes. Para cada estudante, seja um moço de quatorze anos admirado de ter pisado no campus de uma universidade pela primeira vez, ou para uma velhinha de noventa anos que nunca deixou de assistir às aulas da Semana de Educação e até, às vezes, nem parou para almoçar, há algo que possa expandir a mente, fortalecer o espírito e consolar a alma.

Este milagre reflete o profundo compromisso dos Santos dos Últimos Dias ao conceito de educação contínua, compromisso este que se baseia nas revalações da Restauração e nos ensinamentos dos profetas modernos. A educação contínua tem benefícios tanto temporais como espirituais, sim, benefícios que nutrem nossa vida terrena e nos abençoaraão por toda a eternidade. É-nos ordenado: “Buscai diligentemente e ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria” (D&C 88:118). Também devemos buscar conhecimento “em teoria, em princípio, em doutrina, na lei do evangelho, em todas as coisas pertencentes ao Reio de Deus, que vos convém compreender” (D&C 88:78). Ademais, devemos aprender “tanto as coisas do céu como da Terra e de debaixo da Terra; coisas que foram, coisas que são, coisas que logo hão de suceder; coisas que estão em casa (nacionais), coisas que estão no estrangeiro; as guerras e complexidades das nações e os julgamentos que estão sobre a terra; e também um conhecimento de países e reinos” (D&C 88:79). Nossa educação contínua há de ser tanto uma busca espiritual como intelectual e profissional. O Senhor nos ensinou que o conhecimento que adquirimos através de nosso aprendizado nos preparará em todas as coisas a fim de magnificar os chamados a que fomos preordenados (vide D&C 88:80) e ressuscitará conosco na ressurreição, sendo para nós uma vantagem na eternidade (vide D&C 130:18—19).

Levando em conta estas escrituras, não é de se admirar que a instrução, tanto formal como informal, desempenhe um papel importante na vida dos Santos dos Últimos Dias fieis. Nossa fé deve nos impulsionar adiante à busca da verdade e conhecimento de Deus. “Afinal de contas somos todos nós estudantes,” ensinou o Presidente Gordon B. Hinckley. “Se chegar o dia em que deixarmos de aprender, cuidado!

Dentro de cada um de nós há um potencial grande de continuar a aprender. Independente de nossa idade, a não ser que se tenha uma doença grave, podemos ler, estudar e assimilar os escritos de maravilhosos homens e mulheres. . . .

Devemos continuar a crescer. Devemos aprender continuamente. Trata-se de uma ordem divina, a de irmos adiante, aumentando nosso conhecimento.

Temos acesso a aulas do instituto, cursos universitários à longa distância, a semana de educação e muitas outras oportunidades em que, ao estudarmos e juntar nosso pensamento ao dos outros, descobriremos uma reserva enorme de capacidade dentro de nós mesmos. (Teachings of Gordon B. Hinckley (Os Ensinamentos de Gordon B. Hinckley) [Salt Lake City: Deseret Book, 1997], 302–3.)

Ao longo dos últimos vinte anos tenho lecionado como um dos professores da Semana da Educação. É sempre um privilégio participar porque sempre recebo mais do que dou e fico cada vez mais decidido a melhorar. Minha fé no Senhor e amor ao evangelho sempre se fortalecem quando presencio o milagre de agosto: milhares e milhares de Santos de todas as partes do mundo que realmente “entram para aprender” e então “saem para servir,” tornando-se melhores maridos, esposas, pais, mães, avós, filhos e conservos no Reino de Deus. Devido ao fato de sua vida ter sido fortalecida, eles têm mais condições de servir seu próximo ao longo das semanas e anos que vêm. Isso realmente se trata de um milagre!


À Sombra da Basílica de São Pedro

POSTED BY: holzapfel

07/30/09


Neste fim de semana acabarei de dirigir a fase do programa de estudos no exterior da BYU em Roma e daqui passaremos a Atenas pela a última semana e meia do curso.

Acabamos de passar um mês de muito calor e humidade em que o Dr. Gary Hatch e eu temos tentado nos manter à frente do grupo de quarenta estudantes que integram nossa turma. Neste mês que passou vimos boa parte de Roma e da Itália.

Roma foi nosso centro de operações durante o curso e moramos em vários apartamentos localizados perto da Cidade do Vaticano, a menor nação independente do mundo. De fato, dois dos apartamentos dos estudantes dão vistas, pelas janelas dos quartos, para a Basílica de São Pedro.

Naturalmente, como quaisquer outros turistas e visitantes, já visitamos os museus do Vaticano, os jardins do Vaticano, o Scavi (o necrópole subterraneo do primeiro século AD que fica em baixo da Basílica de São Pedro) e o interior da própria basílica. Os alunos também assistiram a uma audiência papal durante a primeira semana. Em outras ocasiões, a magnífica praça de São Pedro serviu de local de encontro do nosso grupo antes de partirmos para outros locais da cidade. Não obstante, parecia que estávamos sempre à sombra da catedral de São Pedro todos os dias, independente do lugar da cidade em que estávamos.

Até para os não católicos, a Basílica de São Pedro é um ponto turístico que se tem que visitar em Roma. O Pietá de Michelangelo se encontra nesta catedral e sua cúpula domina o horizonte da própria Roma, chamando as pessoas para se reunirem neste local notável.

Conforme a tradição antiga, Pedro foi crucificado no Circo de Nero e enterrado nas proximidades entre 64 e 66 AD. Mais tarde, possivelmente lá por meados do segundo século AD, os cristãos indentificaram uma sepultura que, conforme criam, continha os ossos de Pedro. Mais tarde, no quarto século, Constantino mandou construir uma capela no local. Por fim, em 1505, o Papa Júlio Segundo iniciou a construção de uma nova catedral, a basílica atual. A partir de 1939, o Vaticano patrocinou várias excavações arqueológicas por baixo da Basíçica de São Pedro onde encontraram os restos da primeira capela e umas sepulturas do primeiro século AD.

Hoje em dia, os que visitam os Scavi (excavações) podem ver certa sepultura, que os católicos acreditam ser a de São Pedro, localizada diretamente em baixo do atual alto altar que se cobre do pálio de Bernini logo em baixo da magnífica cúpula de Michelangelo. Embora esta provavelmente não seja a sepultura do pescador da Galileia, há algo de memorável em visitar o lugar que tem sido o enfoque de tantas peregrinações ao longo de dois mil anos. E mesmo que nunca saibamos o que houve com Pedro (onde, como e quando morreu), há algo que nos faz pensar nele enquanto estamos à sombra da basílica que leva seu nome nesta cidade notável à beira do Rio Tibre.


A Redescoberta de um Mundo Antigo

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07/17/09


 O Centro de Estudos Religiosos da BYU [BYU Religious Studies Center] promove pesquisas e a publicação de artigos doutos através de bolsas e das próprias publicações do Centro. Um aspecto da missão do CER é o de incentivar a reconstrução do mundo das escrituras e da Restauração para nos dar um contexto para facilitar os estudos.

Atualmente sou codiretor do programa de Estudos no Exterior da BYU em Roma e Atenas junto com Gary Hatch, reitor adjunto de Educação Geral e Programas de Honras. Quarenta alunos estão conosco para esta aventura, e que aventura! Faz calor, está muito húmido e é difícil levar todos a um museu ou local arqueológico devido ao sistema complicado e congestionado de ônibus, trem e metrô.Como se pode imaginar, passamos muito tempo passeando pelas ruas da antiga Roma. Em alguns lugares, pode ser que até sigamos os mesmos passos de Pedro e Paulo. Na semana que vem vamos viajar para mais longe, até as antigas ruínas de Pompeia, perto da cidade moderna de Nápoles na Itália.

Já fui a Pompeia várias vezes depois da minha primeria visita com um grupo de estudantes colegiais de York, Estado de Maine, em 1972. Cada visita subsequente tem me deixado cada vez mais melancólico e por isso não estou muito a fim de fazer outra viagem. Fico angustiado pelas imagens de morte na cidade, especialmente os moldes de gesso dos corpos daqueles que lá morreram há tantos anos. Não obstante, tenho me preparado para a excursão através da leitura de um novo livro sobre Pompeia de Mary Beard, The Fires of Vesuvius: Pompeii Lost and Found [Os fogos do Vesúvio: Pompeia Perdida e Achada] (Cambridge, MA: The Belknap Press of Harvard University Press, 2008).

O livro de Beard me lembra que a história do passado é muito mais complicado do que imaginamos. Este livro é bom para qualquer pessoa que sonhe em ir a Pompeia ou que queira entender a complexidade da história daquela cidade. Em primeiro lugar, a autora nos explica que Pompeia é mais que uma “mera cidade congelada no tempo” (9). Em capítulo após capítulo a autora nos diz que: “Nem tudo é como parece à primeira vista” (13). Já tinha havido destruição antes da erupção famosa de 79 AD (ela descorda que a data do cataclismo foi de 25 de agosto daquele ano) e logo após o trágico desastre houve pilhagem no local. Então, em 1943, as bombas das forças aliadas destruíram ainda mais, complicando ainda mais a história. Apesar disso, Beard observa: “É verdade que esta cidade nos oferece uma vista mais vívida das pessoas e de sua vida do que em qualquer outra parte do antigo mundo romano” (15). Porém, “O contexto maior e as respostas a muitas perguntas básicas sobre a cidade, na verdade, permanecem muito obscuros” (16).

Beard nos proporciona retratos em palavras desta história de tantas nuanças e complexidades que nos ajudam a enxergar além da reconstrução moderna da cidade e da nossa imaginação hollywoodiana do que pode ter sido a realidade. Na próxima vez que lerem a segunda parte do Novo Testamento, considerem o estudo histórico e cultural a respeito da época para preencher as lacunas do relato no livro de Atos. Tal estudo revelará um mundo interessante e complexo, dando um contexto mais âmplo aos escritos de Paulo, Lucas, Pedro e outros.


“E depois nos dirigimos a Roma”

POSTED BY: holzapfel

07/07/09


Há quase dois mil anos Lucas preparou uma obra em duas partes, ou seja, o Evangelho de São Lucas e o livro dos Atos dos Apóstolos, mas o que se conta nelas é tão reanimador e emociante como uma história moderna. Ele estva em muito boa forma ao escrever os últimos dois capítulos de Atos, os quais contêm uma das maiores narrativas do passado sobre viagens ao alto-mar (vide Atos 27–28). Paulo já havia languescido por dois anos na prisão da capital provinciana romana da Judeia quando Lucas iniciou esta parte muito conhecida do relato: “E, como se determinou que havíamos de navegar para a Itália, entregaram Paulo, e alguns outros presos, a um centurião por nome de Júlio, da coorte augusta” (Atos 27:1).

Lucas nos deu um relato dramático da tempestade, da advertência e do naufrágio. Paulo, que era conhecido como missionário incansável que procura salvar o mundo, de fato salvou a tripulação, os soldados e os prisioneiros. Acharam refúgio numa ilha, provavelmente a de Malta, e depois de três meses, embarcaram num navio graneleiro provindo de Alexandria, Egito, rumo a Roma.

Lucas continuou, “E, chegando a Siracusa [na Sicília], ficamos ali três dias. De onde, indo costeando, viemos a Régio; e soprando, um dia depois, um vento do sul, chegamos no segundo dia a Potéoli [a atual Pozzuoli, logo ao norte de Nápoles]” (Atos 28:12–13).

Durante os últimos quinze anos tenho retraçado as viagens de Paulo. Trata-se não somente de um projeto profissional (leciono o Novo Testamento) mas também uma busca pessoal—Paulo me interessa muito há um tempão. No domingo passado, por fim visitei um local que está há muito tempo na minha lista de lugares que eu gostaria de conhecer—Pozzuoli. Com um ex-companheiro de missão, Steve Smoot, na direção, chegamos a esta cidadezinha calma na costa italiana.

Pozzuoli recém apareceu no noticiário. Só na semana passada, arqueólogos desenterraram um busto em mármore do imperador romano Tito, o qual havia destruído Jerusalém e o templo em 70 AD.

Voltando ao livro de Atos, o relato de Lucas agora passa de narrativa marítima à viagem por terra com seis palavras cheias de emoçaõ: “E depois nos dirigimos a Roma” (Atos 28:14). Naturalmente, Roma foi a destinação final da jornada, mas, o que é de mais importante, a chegada a Roma representou o ponto culminante do relato do livro de Atos—Paulo agora proclamaria “as boas novas” em Roma, o centro do próprio império.

Para mim, a melhor parte da visita aos locais históricos é que daquele dia em diante sinto algo diferente ao ensinar a história sobre ao local. Como Lucas, vou poder proporcionar um retrato em palavras a meus estudantes. Neste caso, descreverei o Mar Mediterrâneo tão azul, a praia apinhada de barcos, redes e pássaros e cercado de morros no horizonte em Pozzuoli. Na minha lembrança levarei um retrato de Paulo, subindo os barrancos que separam a aldeia da planície lá em cima, dando início a sua caminhada a Roma. Lembrar-me-ei do calor, da humidade e do cheiro da água do mar e dos peixes. Meus alunos viajarão comigo ao viajarmos com Lucas e Paulo por Pozzuoli a caminho de Roma ao estudarmos o relato desta viagem do Apóstolo Paulo.


Um Sonho Patriótico

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07/02/09


Blog do convidado especial Robert C. Freeman, professor de história e doutrina da Igreja da BYU.

Assita ao desfile, veja a banda passar, acenda a churrasqueira e presencie o espetáculo de fogos de artifício! Neste mês de julho os Santos dos Últimos Dias dos Estados Unidos se unirão ao resto da nação em festejar o nascimento [dia da independência] dos Estados Unidos da América.  Já faz quinze anos que venho colecionando histórias dos membros da Igreja que serviarm nas forças armadas (www.saintsatwar.org).

Os Santos dos Últimos Dias desfrutam uma longa história de patriotismo a seus respectivos países, entre eles os Estados Unidos. O próprio Joseph Smith abraçou um sentimento de lealdade aos princípios da constituição dos EUA. Ele disse: “Eu sou o maior defensor da constituição dos Estados Unidos que há nesta terra. No íntimo estou sempre pronto para até morrer em defesa dos indefesos e oprimidos quanto a seus direitos justos. A única fraqueza que encontro na constituição é que não é suficientemente ampla para atender a todas as necessidades do povo” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, compilado por Joseph Fielding Smith [SLC: Deseret Book, 1976], 326). A percepção por parte do Profeta referente à necessidade que amplificar a constituição é muito interessante posto que depois de seu falecimento houve emendas cruciais, tais como as de direitos humanos e civis (emendas treze, quatorze e quinze) e a décima nona emenda que proporcionou o direito de votar à mulher.Algumas décadas atrás, na ocasião do festejo do bicentenário da fundação dos Estados Unidos, o Presidente Spencer W. Kimball falou das tendências militantes da humanidade moderna: “Somos um povo guerreiro, facilmente desviado de nossa designação principal, a de preparar-nos para a segunda vinda do Senhor. Quando surgirem inimigos, dedicamos vastos recursos à fabricação de deuses de pedra e de aço, ou seja, navios, aviões, mísseis e fortificações, e dependemos deles para nossa proteção e liberação. Quando ameaçados, viramos contra os inimigos em vez de a favor do reino de Deus; treinamos um homem na arte de gurerra e o chamamos de patriota, assim pervertendo, de forma diabólica e falsa, os ensinamentos do Senhor” (“The False Gods We Worship (Os deuses falsos que adoramos),” Ensign, junho de 1976).

Hoje em dia os Santos dos Últimos Dias norte-americanos continuam a ser patriotas sob a bandeira de vermelho, branco e azul. A cidade de Provo, sede da Universidade Brigham Young, patrocina uma das maiores celebrações do dia quatro de julho [dia da independência] em todo o território nacional, o chamado Festival de Liberdade. Naturalmente, a influência da Igreja está no mundo todo, o que nos obriga a considerar umas questões importantes, por exemplo, o que significa o patriotismo em termos da Igreja global? Com certeza temos que manter uma perspectiva correta quanto ao patriotismo. Festejamos o dia porque esta é a terra de nossos pais e de nossos filhos. Abraçamos tudo que é de bom em nosso país e esperamos ajudar em questões de liberdade e direitos humanos tanto aqui “em casa” como no exterior. Procuramos defender os princípios de liberdade e igualdade em todos os lugares em que forem atacadas.

O Élder Dallin H. Oaks também nos advertiu a respeito dos riscos de um patriotismo zeloso demais quando disse: “O amor pela pátria é, certamente, uma virtude, porém, levado ao excesso, pode se tornar causa de decadência espirituall. Há certos cidadãos cujo patriotismo é tão intenso e tão envolvente que domina todas as outras responsabilidades, inclusive as de família e de Igreja” (“Our Strengths Can Become Our Downfall(Nosso forte pode se tornar nosso fracasso),” Ensign, outubro de 1994, 17). Que soltem os foguetes!

Tais ensinamentos nos lembram da necessidade de refinar nosso patriotismo para assegurar que seja sincero e dentro dos limites que o Senhor estabeleceu. O verdadeiro patriotismo proporciona honra a qualquer nação em que se abrace a liberdade. Tal liberdade é necessária para que o reino de Deus floresça entre os povos do Senhor. Há muito que festejar no nosso país abençoado e em todo país onde se luta pela liberdade.



Courtesy Community of Christ Archives, Independence, Missouri.

 Blog do convidado especial Kent P. Jackson, professor de escrituras antigas.

Neste mês agora celebramos o 179º aniversário de algo que a maioria dos Santos dos Últimos Dias desconhecem. Foi em junho de 1830, apenas dois meses depois da organização da Igreja, quando o Profeta Joseph Smith iniciou o trabalho da tradução da Bíblia. Hoje em dia chamamo-la a Tradução de Joseph Smith (empregando a sigla TJS), mas o próprio Profeta a chamava de a Nova Tradução. As primeiras dezenove páginas, reveladas entre junho de 1830 e o fim daquele ano, contêm sua revisão dos primeiros capítulos de Gênesis. Quando se criou a Pérola de Grande Valor em 1851, aqueles capítulos de Gênesis foram incluídos no livro, onde permanecem até hoje. Chamam-se o Livro de Moisés.

Há algo de novo na Nova Tradução? Vamos examinar um capítulo só, o primeiro capítulo da tradução, revelada em junho de 1830.

O atual capítulo 1 do Livro de Moisés consiste no relato de uma visão que Moisés presenciou antes do Senhor revelar-lhe o relato da criação do mundo. Assim, trata-se de prefácio do livro de Gênesis. Este é um dos capítulos mais notáveis das escrituras e está repleto de doutrinas que destacam os Santos dos Últimos Dias dentre todos os outros que creem na Bíblia. Embora esta visão de Moisés seja um evento bíblico que se realizou num contexto bíblico, não há nenhuma menção dela no Velho Testamento. Não há nada semelhante na Bíblia, mas se trata de uma das grandes tesouros da Restauração—uma verdadeira pérola de grande valor.

Neste único capítulo aprendemos muito.

Moisés fala com Deus “face a face” em termos que indicam fortemente que em verdade Deus tem rosto. Aprendemos a respeito do Filho Unigênito do Pai. Ao passo que o Pai fala com Moisés e lhe ensina acerca de Jesus Cristo, a escritura nos lembra em termos claros de que o Pai e o Filho são seres divinos separados e distintos. Aprendemos também a respeito de nós mesmos: que armados só de nossos próprios recursos não somos nada. Mesmo assim, somos filhos de Deus criados à imagem e semelhança de seu Filho Unigênito e dotados de potencial enorme.

Aprendemos sobre a glória de Deus, o poder celestial que irradia dele e o rodeia. Os humanos precisam ser transfigurados para sobreviver na glória de Deus, mas Satanás só pode fingir tê-la e de fato não a possui de forma alguma. Vemos Deus e Satanás juxtapostos num contraste marcante e aprendemos que Satanás tem a necessidade patológica de ser adorado e só procura satisfazer seus próprios interesses.

Aprendemos também a respeito do poder de Deus e de suas criações assombrosas. Moisés, ao estar cercado da glória de Deus, pôde ver todas as partículas desta terra e discernir todas as almas no planeta. Até viu outros mundos habitados, mundos sem fim. Ele aprendeu que Cristo é o Criador de todos aqueles mundos e aprendeu que a obra e glória de Deus e levar a efeito a imortalidade e vida eterna de seus filhos que habitam nestes mundos.

Nem é preciso dizer que nada disso fazia parte da crença das principais igrejas cristãs na época de junho de 1830 quando o Senhor revelou estas coisas a Joseph Smith. De fato há muito de novo na Nova Tradução, e aqui só falamos do primeiro capítulo.

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Lembra-te do Dia do Sábado

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06/08/09


O livro de Êxodo nos conserva os Dez Mandamentos, inclusive o quarto deles: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar” (Êxodo 20:8). Tem-se discutido e debatido há muito tempo o significado do quarto mandamento. Felizmente Craig Harline, professor de história da BYU, redigiu a história ao longo dos séculos dos esforços feitos pela humanidade no sentido de designar e consagrar um dia especial entre todos da semana. O título do livro de Harline é Sunday: A History of the First Day from Babylonia to the Super Bowl [Domingo: a história do Primeiro Dia desde a Babilônia até o Super Bowl (campeonato de futebol profissional americano que sempre se realiza num domingo do mês de janeiro)] (New York: Doubleday, 2007).

O relato de Harline começa num domingo de Super Bowl, focalizando na reação de sua avó (que tinha noventa anos na época) em certo domingo enquanto a família se reunia para assistir ao campeonato. Por fim ela saiu da sala perguntando-se a si mesma como é que a sociedade teria chegado a este ponto. Ele revela que também havia se preocupado com isso, mas por um motivo diferente. Ele recorda que ficou chocado pelo fato de domingo fazer parte do ‘Domingo de Super Bowl.’ “Como terá acontecido isso?” (viii). O livro responde à pergunta.

O autor é um excelente escritor e observador perspicaz quando aos lugares geográficos e povos do mundo e inclui sua anáolise de textos antigos e modernos. Ele não somente conta a história de palavras importantes como sábado e domingo como também inclui experiências da vida de pessoas reais que também procuraram entender o significado mais profundo de festivais religiosos e dias santos. Ele retrata a vida nas antigas regiões em volta do Mar Mediterraneo, bem como na Europa medieval e moderna, inclusive na Inglaterra e nos Estados Unidos dos séculos dezenove e vinte. Eis dois esclarecimentos entre centenas que me ajudaram a reconstruir o passado para poder apreciar o presente.

Primeiro, a criação do “sábado à tarde livre” na Inglaterra foi o início do moderno “fim de semana.” Muitos países “adotaram tanto a expressão como a prática [inglesa] do ‘fim de semana’” logo depois da Primeira Guerra Mundial (217). Esta nova formulação da semana, que passou de uma semana de seis dias úteis para uma de cinco e meio, proporcionou mais oportunidades de descanso e participação de atividades de lazer. Algumas pessoas diziam que o propósito da tarde livre nos sábados era para permitir que o povo fizesse seus afazeres pessoais no sábado, deixando o domingo livre para a meditação calma e adoração ao Senhor, ou seja, o chamado “domingo silencioso” da tradição inglesa (218). Porém, em vez disso, “aqueles que queriam liberalizar o domingo inglês alegavam que devido ao aumento de horas livres, as novas oportunidades e instalações para o lazer não eram suficientes para acomodar todos aqueles que queriam usufruí-las, a não ser que estivessem disponíveis também aos domingos” (218).

Segundo, para algumas pessoas, praticar esportes no domingo se justificou pela ideia “nobre” de que os esportes “podiam transmitir virtudes morais” tais como “unidade (de equipe), disciplina, altruísmo e mais” (261). De um ponto de vista, participar (não assistir) em “bons esportes” era melhor que jogar cartas ou desperiçar tempo nos bares. Um inglês argumentava que “nossos esportes nos mantêm saudáveis e fazem que evitemos os maus hábitos de beber, ficar acordados até muito tarde, etc.” No entanto, o fato de agluns praticarem esportes no domingo criava “mais trabalho para os outros” (261). Isso se tornou ainda mais evidente com a mudança de praticar esportes para a de assistir às partidas de vários esportes aos domingos.

Harline mostra que as práticas sabatinas continuam a mudar com o passar do tempo e acrescenta: “Parece ponto pacífico que este processo de mudança continuará: O domingo se transformará à medida que o mundo transforma.” Não obstante, ele opina: “Também é ponto pacífico que quaisquer que sejam as mundanças, o domingo sempre manterá seu caráter de extraordinário, independente de como as pessoas o encararem” (381).

Aprendi muito por meio do meu colega e utilizarei algumas de suas ideias convincentes nas minhas aulas de Novo Testamento, ao ensinar sobre a controvérsia entre Jesus e os judeus acerca do sábado, conforme registrado nos livros evangélicos [Mateus, Marcos, Lucas e João], e também ao lecionar a respeito de revelação moderna referente ao dia santo do Senhor, conforme se encontra na seção 59 de Doutrina e Convênios.

(“tags” só disponíveis em inglês)


Cristãos na Terra Santa

POSTED BY: holzapfel

06/01/09


Durante o mês de ramadã, os muçulmanos jejuam todos os dias da alvorada até o crepúsculo e celebram de tardinha com a família na hora do jantar. Alguns anos atrás, durante a época do ramadã, eu guiei um grupo de alunos do Centro da BYU de Jerusalém numa excursão para a Margem Ocidental (conhecida hoje como os Territórios da Palestina, ou simplesmente a Palestina). Nablo, a antiga Siquém, estava recém esquentando e se tornando um dos pontos de detonação no conflito entre os israelenses e os palestinos, por isso um guarda de segurança palestino, empregado do Centro da BYU e muito querido pelos estudantes, nos acompanhou como precaução adicional no nosso passeio pela Palestina. Ao voltarmos a Jerusalém, os estudantes se surpreenderam quando o guarda tirou um lanche da mochila e começou a comê-lo. Ao passo que ele olhava os estudantes surpresos de sanduiche na mão, ele lhes disse: “Ora, sou cristão!” Não imaginavam que um dos guardas pudesse ser cristão, simplesmente achavam que todos os palestinos eram muçulmanos.

Na minha experiência de diretor de excursões na Terra Santa, a maioria dos turistas norte-americanos acham que todos os palestinos e todos os árabes que moram em Israel são muçulmanos. Na verdades os árabes cristãos são “os fieis esquecidos” (vide “The Forgotten Faithful: Arab Christians [“Os fieis esquecidos: Os árabes cristãos],” National Geographic, junho de 2009, 78–97). É surpreendente que em 1914 mais de 26 por cento da população da região hoje conhecida como Israel, a Jordânia, o Líbano, a Palestina e a Síria eram cristãos (87). Há pouco tempo, os cristãos palestinos que moravam em Belém representavam cerca de 80 por cento da população. Representavam a maioria naquela época. Hoje em dia, esta porcentagem baixou para 10 por cento no que agora é certamente uma cidade dominada pelos muçulmanos. O declínio dos cristãos em Belém, bem como em Nazaré, simboliza o que está passando em toda a região, onde os cristãos fazem parte de menos de 9 por cento da população total. Ironicamente, hoje muitas pessoas do Ocidente encaram estes cristãos com desconfiança, ao passo que estão sendo cada vez mais marginalizados e até forçados por seus vizinhos muçulmanos a ou converter-se ao islã ou fugir de lá.

Encontram-se numa situação dificílima. É interessante observar que tem havido muitos cristãos de renome do Oriente Médio, tais como, por exemplo, Abdalá Jaime Bucaram Ortiz, católico libanês e presidente do Ecuador (1996–97); John Sununu, cristão palestino-libanês da Igreja Ortodoxa Grega e líder político dos Estados Unidos; Carlos Ghosn, cristão maronita libanês e CEO da Nissan e Renault; Hanan Ashrawi, ativista palestino anglicano e porta-voz da Autoridade Palestina; Paul Anka, cristão sírio e cantor popular do Canadá e Estados Unidos; Salma Hayek, atriz católica romana de raizes libanesas e mexicanas; Azmi Bishara, cristão grego-ortodoxa e deputado do congresso israelense [Knesset] e Tony Shalhoub, cristão maronita libanês e recebedor de Emmy por sua atuação no seriado Monk de televisão.

Mais algumas experiências no Oriente Médio revelam a situação única em que os cristãos da região se encontraam hoje em dia.

Numa conversa particular com um amigo palestino cristão, há muitos anos, ele me disse que não gostava de viver sob a ocupação israelense, mas ele temia ainda mais o estabelecimento de uma nação palestina porque se tornaria uma nação islâmica. No que eu só posso descrever como sendo um estado de desespero completo, porém controlado, ele acresentou: “Pode ser que não haja nenhum futuro para mim e minha família nesta terra,” uma terra em que o cristianismo nasceu e onde sua família havia morado como cristãos por mais de quinhentos anos.

Durante uma excursão na Terra Santa, há cinco ou seis anos, alguns participantes conversaram com um palestino durante uma das etapas da viagem. Pelo jeito esta ligeira discussão começou com algumas perguntas inocentes sobre a opinião dele do conflito entre Israel e a Palestina. Porém, ao conversarem com ele, se tornou claro que eles apoiavam as políticas em vigor do Estado de Israel, inclusive a expansão de colônias judaicas pelas terras palestinas da margem ocidental. Ao aproximar-me deles, perguntaram-lhe: “Por que os palestinos não se mudam à Jordânia e permitem que os israelenses tenham seu próprio país?” Eles aparentemente supunham que os palestinos não tinham nem um vínculo histórico nem direitos legais àquela terra como os judeus tinham, ou seja, que os palestinos, como os muçulmanos, eram estrangeiros na Terra Santa.

Esses turistas se surpreenderam quando ele respondeu: “Por que vocês não se importam conosco, seus irmãos cristãos? Não somos nós também discípulos de Jesus, como vocês? Será que Belém, Nazaré, Cafarnaum e Jerusalém não são lugares santos para nós também?” Aí ele se revelou como palestino crisão, e não palestino muçulmano. Eles [os turistas] supunham, exatamente como meus estudantes da BYU, que todos os árabes e palestinos são muçulmanos. Descobriram nesta conversa que a família dele havia vivido naquela terra por muitos séculos e haviam sido cristãos por muito mais tempo de que os ancestrais dos turistas os quais provavelmente eram pagãos ainda no interior da Europa quando os antepassados dele aceitaram o cristianismo na Terra Santa há mais ou menos dois mil anos. Logo entenderam que não era justo que um cristão crente que havia vivido por tanto tempo naquela terra fosse perseguido, impelido e marginalizado pelas ideologias políticas e religiosas que estavam em choque naquela região.

Na revista National Geographic deste mês o artigo sobre os cristãos do Oriente Médio serve de grande introdução à história deles, destacando um aspecto importante mas pouco conhecido, sim, menos conhecido que devia ser, dos conflitos daquela terra. Podemos concluir que o assunto é bem mais complexo do que geralmente se imagina.


Paz e Sossego

POSTED BY: holzapfel

05/28/09


Recém visitei Powell’s City of Books [livraria] no centro de Portland, Estado de Oregon. Powell’s é uma das livrarias independentes [que não faça parte de uma cadeia nacional] notáveis dos Estados Unidosis e pelo que saibamos é a que mais vende livros usados em todo o mundo. A loja ocupa um quarteirão inteiro e mantém em destaque mais de um milhão de títulos.

Ao vagar por este local famoso, observei, na seção de autores e autógrafos, o livro de Gordon Hempton One Square Inch of Silence: One Man’s Search for Natural Silence in a Noisy World [Uma polegada quadrada de silêncio: Um homem à busca de silêncio natural num mundo barulhento] (New York: Free Press, 2009). O título me captou por causa de meu interesse no assunto (vide meu blog de 3 de novembro de 2008, “Solidão, Silêncio e Escuridão”) e logo coloquei-o na braçada de livros que eu já levava. Hempton é um técnico premiado de gravação de som que mora em Port Angeles, Estado de Washington, próximo ao Parque Olímpico Nacional—o local de “uma polegada quadrada” cujos ruídos e silêncio ele gravou.

Este livro conta a história de uma viagem épica de carro atravessando os Estados Unidos a fim de gravar os ruídos da paisagem natural da América. Ele encheu sua Kombi Volkswagen ‘64 de equipamentos de gravação e de medição de decibel antes de partir da costa oeste rumo à costa leste do país. É difícil escapar do barulho do mundo moderno, como Hempton mostra. Até em alguns dos lugares mais silenciosos da América do Norte—nossos parques nacionais—aviões quebram o silêncio e maquinaria moderna usada pelos próprios funcionários do parque às vezes molesta tanto os humanso como os animais presentes.

Por final, ao chegar a Washington DC, onde ele se reuniu com oficiais do governo federal para dar apoio à legislação que conservaria o silêncio natural nos parques nacionais, ele havia gravado os sons, imagens e retratos de uns lugares maravilhosos, inclusive parte do interior do Estado de Utah (121–56). O livro é acompanhado de um CD que preserva os sons gravados.

Nós, com certeza, enfrentamos hoje a poluição sonora. Para ter uns momentos de paz e sossego temos que desligar a televisão, rádio ou iPod. Como observa Hempton: “As palavras paz e sossego são quase sinônimas e muitas vezes se pronunciam na mesma frase” (12).

Hempton relata os benefícios de estar num lugar natural e de sossego. Ele nota que “coisas boas vêm de lugar sossegado: estudo, oração, música, transformação, adoração e comunhão” (12). Ele argumenta que “se não dermos ouvidos ao problema do sumiço do sossego natural, perderemos algo precioso, algo insubstiuível (3). Ele observa: “É nosso direito de herança poder escutar, calmos e sem inquietação, o som do ambiente natural” (2).

É interessante notar, como observa Hempton, que “a fauna depende do senso de audição para detectar os predadores que se aproximam e certamente os animais não ficarão por muito tempo em lugares onde é difícil ouvir” (20). Ele também opina: “Só a audição pode monitorar em todas as direções ao mesmo tempo e até predizer o que se poderá encontrar ao dobrar a esquina” (56).

Eu, às vezes, fico pensando se os humanos também lutam para ouvir, ouvir a voz do Espírito, que pode preveni-los de perigos que não se enxergam, ou daquilo que se dará conosco ao dobrar a esquina. Os ruídos, em nível cada mais crescente, podem nos distrair e desviar-nos de pensamentos e ações mais elevados e nobres. Talvez não nos desfrutemos de tais experiências espirituais o quanto que devíamos por falta de silêncio natural que pode permitir-nos sintonizar nossos ouvidos à voz celestial. Cada vez mais, as vozes e ruídos conflitantes nos enchem os ouvidos de conselhos contraditórios e barulhos que nos afastam das coisas do Espírito. Tais vozes e sons não só procuram captar nossa atenção como também querem cativar nosso coração.

O salmista disse: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Salmos 46:10). Eis uma verdade eterna do passado—verdade esta que se tratava de um bom conselho naquela época bem como na atual.


Deus está de volta

POSTED BY: holzapfel

05/27/09


Durante duzentos anos, filósofos europeus, tais como Karl Marx, Emile Durkheim e Max Weber acreditavam que a religião era destinada à ruína e que Deus estava morto. Porém, a história sempre nos surpreende. Poucos líderes políticos e adacêmicos do passado teriam imaginado que as pessoas religiosas e suas instituições fariam um papel tão importante no mundo de hoje. Até os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, mostram que o que se ensina numa escola religiosa na Arábia Saudita tem importância para todos, onde quer que estejam. Além disso, a eleição presidencial norte-americana de 2008 revelou que a crença religiosa ainda é muito importante, embora a constituição dos Estados Unidos não exija nenhum teste de religiosidade por parte dos candidatos (Artigo VI, seção 3 declara: “Nenhum teste religioso será exigido como precondição para qualquer cargo público, inclusive cargo de confiança, nos Estados Unidos”).

Um dos esforços mais recentes de compreender por que a fé está crescendo frente ao profundo secularismo de hoje se encontra no livro God is Back: How the Global Revival of Faith is Changing the World [Deus está de volta: Como a renovação global da fé religiosa está transformando o mundo] de John Micklethwait e Adrian Wooldridge (New York: Penguin, 2009). O que é de interesse para nós é que os Santos dos Últimos Dias são mencionados várias vezes (vide pp. 18, 19, 65, 115, 124, 229, 233, 350, 357, 371).

Os autores descrevem seu projeto como “uma jornada longa” e acrescentam: “Sem dúvida a mensagem global [deste livro] deprimirá muitos seculares porque às vezes também nos deprime. Algumas coisas horríveis já aconteceram neste século em nome de Deus e mais, sem dúvida, estão para acontecer.” Concluem: “Desigual e gradativamente, a religião está se tornando uma questão de escolha—algo que o indivíduo decide (se vai crer ou não e em que) por si mesmo” (372). Este modelo em que a escolha individual faz um papel central na decisão de crer ou não crer é uma atitude do novo mundo. Assim o modelo do futuro é o americano, em que não há uma igreja estabelecida pelo estado e as pessoas decidem no que crerão. O livro oferece umas ideias surpreendentes, tais como:

  • “Até 2050, a China possivelmente poderá ser a maior nação muçulmana, bem como a maior nação cristã, do mundo” (5).
  • “Muitos confitos antigos hoje têm adquirido uma dimensão religiosa. A venenosa guerra de seissenta anos na Palestina no começo era um conflito principalmente secular, . . . hoje em dia, na época do Hamás, côlonos judaicos e o sionismo cristão, a contenda entre Israel e a Palestina ficou mais polarizada, uma luta sectária com cada vez mais pessoas declarando que Deus está de seu lado” (13).
  • “Uma pesquisa de 2006—quinze anos depois da queda do regime soviético—descobriu-se que 84 por cento da população russa acreditava em Deus, ao passo que somente 16 por cento se considerava ateu” (13).
  • “As estatísticas tendem a indicar que o movimento global em direção ao mundano já parou e muitos estudos mostram que a religião está em plena ascendência. Uma estimativa sugere que a proporção de pessoas filiadas a uma das quatro maiores religiões do mundo—o cristianismo, o islã, o budismo e o hinduismo—cresceu de 67 por cento em 1900 a 73 por cento em 2005 e pode alcançar 80 por cento até 2050? (16). Não importa como se encare o assunto, é bem mais possível que a religião afete as pessoas da atualidade do que as de outrora, ou por ser parte de sua vida ou por fazer parte da vida dos que as rodeiam, sejam vizinhos, colegas de trabalho, ou até governantes ou aqueles que procuram derrubá-los” (24).
  • “O estudo mais apurado da crença religiosa da América . . . revela que o país mais poderoso do mundo também é um dos mais religiosos. Mais de nove americanos em dez (92 por cento) acreditam na existência ou de Deus ou de um espírito universal” (131).
  • “Os cientistas sociais já produziram um monte de evidências que a religião faz bem. . . . Daniel Hall, um médico do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, descobriu que frequentar uma igreja semanalmente pode acrescentar de dois a três anos à vida, . . . [proporcionando-lhes] ‘uma espectativa expressiva de vida mais prolongada’” (146). “A religião também parece ter uma correlação com a felicidade. Uma das conclusões mais impressionantes da pesquisa de Pew é que os americanos que assistem ao culto religioso uma ou mais vezes por semana são mais felizes (43 por cento muito felizes) do que os que assistem mensalmente ou menos (31 por cento) e dos que assitem raramente ou nunca, somente 26 por cento são felizes” (147).
  • “A religião pode combater o mau comporatmento e promover o bem-estar” (147).
  • “A religião providencia laços sociais. . . . as igrejas oferecem um lugar seguro onde as pessoas podem se conhecer e compartilhar informações e conhecimentos. Elas [as igrejas] põem as pessoas com problemas em contato com as que têm soluções” (148–49).

Por fim, os autores nos lembram de como os peritos do passado estavam errados quanto à religião e a Deus, inclusive Peter Berger, que assegurou numa entrevista do jornal New York Times em 1968 que “até o século vinte e um, os que creem na religião só se encontrarão em seitas pequenas, reunidos de forma precária para resistir à cultura secular mundial” (52).

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