A história comovente de Nathaniel Philbrick sobre os primeiros côlonos ingleses na Nova Inglaterra começa assim: “Por sessenta e cinco dias o navio Mayflower tinha cambaleada por tempestades e fortes ventos de proa, seu casco parecia um pêlo cabeludo de algas e bálanos, seu convés vazava água salgada na cabeça devota dos passageiros. Havia 102 pessoas—104, contando os dois cães, um spaniel e um gigante mastim babão.” Ele continua: “Já estavam velejando havia dez semanas numa viagem que devia ser feita nos dias gostosos de verão mas a viagem havia sido adiado e já era novembro e estavam para entrar no inverno” (Mayflower: A Story of Courage, Community, and War [Mayflower: uma história de coragem, comunidade e guerra] [New York: Penguin Books, 2006], 3).

Por fim se arraigaram em 1620 na região hoje conhecida com Massachusetts. “Não sabemos a data exata da festa que hoje chamamos de Dia de Ação de Graças,” acrescenta Philbrick, “mas provavelmente aconteceu em fins de setembro ou princípios de outubro de 1621, logo após a colheita de suas plantações de milho, abóbora, vagem, cevada e ervilha. Também se tratava de uma época em que uma multidão de aves migratórias pousava no ancoradouro de Plymouth, principalmente patos e gansos; e [William] Bradford ordenou que quatro homens fossem caçar aves. Os caçadores de Plymouth levaram poucas horas para matar patos e gansos suficientes para alimentar a colônia por uma semana. Agora que haviam colhido os frutos do nosso trabalho, Bradford declarou que chegou a hora de ‘regozijar-se juntos . . . de forma muito especial’” (117).

Clementine (de 75 kgs) e Buford (de 91 kgs), dois mastins babões, guardam a casa dos Holzapfel.

General George Washington designhou dia 18 de dezembro de 1777, um dia de acão de graças em comemoração das recentes vitórias na Guerra Americana de Independência. Mais tarde, o Presidente Abraham Lincoln designou um dia para agadecer a Deus pelas vitórias recentes da União (estados do Norte) da Guerra Civil Americana em 1861. Porém, foi o Presidente Franklin D. Roosevelt que finalmente estabeleceu em 1941 a tradição americana de celebrar o Dia de Ação de Graças na quarta quinta-feira do mês de novembro. Hoje em dia, não importa onde vivamos, devemos tirar tempo para agradecer às pessoas que nos encorajaram, nos ajudaram e fortaleceram-nos. Além disso, convem dar graças a Deus pelas bênçãos que muitas vezes nos são concedidas por intermédio dos outros.

Aqui no CER somos gratos a muitas pessoas que apoiam nossos esforços de disponibilizar importantes ensaios, livros e conferências acerca das coisas que mais nos importam. Agradecemos aos doadores, estudantes e colegas da área comercial (tipógrafos, designers, distribuidores e donos de livrarias). Acima de tudo, somos gratos por aqueles que se dedicam a assistir a nossas conferências e ler nossos livros. Esperamos providenciar “alimento intelectual” por muitos anos à frente.

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“A Igreja na América do Sul”

POSTED BY: holzapfel

11/19/08


Meu amigo Mark L. Grover é autor de um livro novo, A Land of Promise and Prophecy: Elder A. Theodore Tuttle in South America, 1960-1965 [Uma Terra de Promissão e Profecia: o Élder A. Theodore Tuttle na América do Sul, 1960-1965], editado pelo Centro de Estudos Religosos da BYU.

Quando ele me mandou um dos rascunhos iniciais do manuscrito há mais de um ano, peguei-o e li-o inteirinho. Fiquei impressionado; foi uma história cuidadosa mas que uma editora comercial como a Deseret Book provavelmente não iria publicar, porém foi justamente o tipo de projeto que nossos doadores gostariam de apoiar para preservar esta história para futuras gerações.

Eis o processo: No que estou satisfeito que o manuscrito se presta para nossa audiência, mando-o para dois críticos independentes. Os críticos não sabem quem é o autor para que sua avaliação seja do conteúdo e não do autor. Este procedimento mantém a objetividade dos eruditos. Pedimos-lhes que leiam cuidadosamente o manuscrito e respondam a umas perguntas básicas: O manuscrito traz novo entendimento ao assunto? O autor possui um conhecimento firme do que já foi publicado a respeito do assunto? O manuscrito foi escrito bem? É o tipo de livro que o CER deve editar? Logo que recebemos os “reviews,” decidimos se o aceitamos para publicação ou não. Daí começamos o trabalho de transformar o manuscrito em livro polido, dando ênfase à redação, verificação de fontes de informações, design, impressão e encadernamento. Quando sair o livro em forma impressa, começa-se outro monte de atividades: copirraite, publicidade e distribuição.

Não importa quantas vezes que eu faça o ritual de edição de um livro (tanto meus próprios livros como os do CER) trata-se de um momento emocionante abrir uma caixa que contém um livro novo. Sempre observo cuidadosamente a capa e então começo a folhear as páginas, olhando as fotos e legendas, bem com o design. Muitas vezes cheiro as páginas ao folhear o livro. Adoro o aroma de um livro novinho. Por fim, tiro um tempo para ler o livro de capa a capa. Mesmo que eu conheça bem o conteúdo do livro, ao longo do processo de edição, que pode durar até um ano, ainda há algo de emocionante em lê-lo de novo como um livro completo e encadernado.

Ontem à noite levei para casa meu exemplar do livro do Mark e comecei a ler. Não pude deixá-lo de lado de tão interessado que fiquei em ler a história por puro prazer e não como editor e crítico. Mark nos dá um relato interessante e comovente da obra do Élder A. Theodore Tuttle na América do Sul durante uma época crucial (1960-65). Ele opina que foi “a chave da evolução de Igreja porque representa uma mudança expressiva de direção e método, especialmente por parte da sede da Igreja em Salt Lake City” (vi). Mark reconhece que: “É perigoso sugerir que a evolução da Igreja na América do Sul pertença a uma pessoa ou a uma época” (11) mas acrescenta que “na história sempre há momentos importantes e cruciais” (12). O livro nos explica porque os cinco anos de 1960 a 1965 representam um momento de definição na história SUD na América do Sul e porque o Élder Tuttle desempenho um papel importante nesta história.

Hoje há setenta e uma missões, quinze templos e mais de três milhões de membros da Igreja na América do Sul. Tudo isso sugere que o Élder Tuttle, os presidentes de missão, os missionários e conversos corajosos que viveram e obraram naquele continente meridional durante este período lançaram o fundamento sobre o qual as gerações seguintes ergueram muito mais.

A história nos proporciona um contexto para o presente. Mark Grover nos deu algo verdadeiramente significante para contemplarmos ao ler sobre a disseminação da obra do Senhor entre diversos povos pelo gigante continente afora. É uma história notável de fé e coragem que iguala a qualquer história do passado dos Santos dos Últimos dias. Tenho certeza de que vão gostar!

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“Em sua própria língua”

POSTED BY: holzapfel

11/12/08


Numa revelação notável concedida a Joseph Smith em 1831, o Senhor disse: “A voz de advertência irá a todos os povos” (Doutrina e Convênios 1:4). Na época, este mandamento pode ter parecido inatingível pela nova Igreja de Jesus Cristo. Dois anos depois, em 1833, o Senhor expandiu ainda mais a missão da Igreja, dizendo: “Todo homem ouvirá a plenitude do evangelho em sua própria língua e em seu próprio idioma” (Doutrina e Convênios 90:11).

Hoje em dia calcula-se que há cerca de 7.000 línguas faladas no mundo, das quais mais ou menos 2.600 contam com uma forma escrita. Porém, os linguistas prevêem que dentro de mais um século mais de 3.000 línguas desaparecerão. Na verdade o mundo está se tornando menor e algumas línguas, como o inglês e o chinês, estão em plena expansão.

Os esforços da Igreja no sentido de cumprir com a ordem de pregar o evangelho aos habitantes do mundo continua a ser muito notável. Na minha própria família se reflete o que está acontecendo a tantos Santos dos Últimos Dias pelo mundo afora. Meu filho, Bailey, está fazendo missão na Missão Suiça Zurique e minha filha Marin entrará no Centro de Treinamento Missionário de Provo em 4 de dezembro de 2008, para iniciar sua preparação para servir na Missão Hungria Budapeste. Eles seguem os passos dos dois irmãos mais velhos—Nathan, que serviu na Missão Chile Osorno e Zac, que serviu na Missão Costa Rica San José. Fiz minha própria missão na Missão Itália Milano. O filho e a filha entrarão em campo com seus tios, os Élderes Josh Meacham e Ephraim Taylor que estão nas Missões Polônia Varsóvia e Taiwan Taichung.

O que também é de se admirar é o esforço de proporcionar traduções do Livro de Mórmon para o mundo todo. Até hoje o Livro de Mórmon foi traduzido inteiramente para setenta e nove línguas e há seleções traduzidas do livro disponíveis em mais vinte e três línguas, ou seja, o livro agora está disponível em 99 por cento das línguas faladas por Santos dos Últimos Dias. E ainda continua, a todo o vapor, o trabalho de traduzir o livro para mais línguas, para cumprir com a ordem do Senhor.

 

O Profeta Joseph Smith fazia sua primeira visita histórica ao Condado de Jackson, Estado de Missouri, em agosto de 1831 quando ouviu a voz do Senhor: “Em verdade eu digo: os homens devem ocupar-se zelosamente numa boa causa e fazer muitas coisas de sua livre e espontânea vontade e realizar muita retidão” (Doutrina e Convênios 58:27). Com este esclarecimento, o Centro de Estudos Religiosos lançou uma nova página de Internet para alcançar uma audiência mais ampla. Por fim, respondendo ao mandamento do Senhor no sentido de toda pessoa ouvir o evangelho em sua própria língua, temos traduzido alguns dos melhores artigos e livros das publicações do CER para português e espanhol, as duas línguas mais faladas na Igreja fora a inglesa. Além disso, acabamos de acrescentar alemão com a edição do célebre livro de Dr. Roger Minert, In Harm’s Way: German Latter-day Saints in World War II (Na mira do perigo: os Santos dos Últimos Dias alemães na Segunda Guerra Mundial). Nossa obra aumentará à medida que traduzimos outros livros que proporcionarão aos membros da Igreja mais uma forma de “buscar . . . palavras de sabedoria; sim nos melhores livros” (Doutrina e Convênios 88:118). Convidamos outros a unirem-se conosco neste emprendimento e a espalharem a notícia de que o site do CER fornece valiosos artigos religiosos em inglês, português, espanhol e alemão.

 

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“A solidão, o silêncio e a escuridão”

POSTED BY: holzapfel

11/04/08


Gosto de ler a revista National Geographic quando chega todo mês pelo correio. O artigo de destaque da edição de novembro de 2008 me chamou atenção: “O fim da noite: Por que precisamos da escuridão.” Antes do alvorecer do século vinte, o mundo tinha abundância de três coisas—a solidão, o silêncio e a escuridão. “De forma muito real,” escreveu Verlyn Klinkenborg , “a poluição luminosa faz com que percamos a vista do nosso verdadeiro lugar no universo; esquecemo-nos da estatura da nossa existência que melhor se mede pelas dimensões da Via Láctea de noite profunda—a beira da galáxia que arqueia lá em cima” (“Our Vanishing Night [A noite sumidiça],” 109).

Minhas próprias experiências nos desertos do Sinai e de Negev possibilitaram que eu pudesse imaginar o mundo antigo—um lugar de vastos espaços vazios e de maravilhas esplêndidas e assombrosas. Nestes locais afastados o céu noturno se ilumina de estrelas extremamente brilhantes. Os canhões, penhascos, montanhas escarpadas, dunas e pântanos de enchem de um silêncio ensurdecedor. Por fim se torna um local onde se pode contemplar o poder sem par do Senhor—o Criador dos céus e a terra. Ao mesmo tempo, é um lugar onde o ser humano pode considerar sua dependência de Deus pela própria existência.

O mundo antigo oferecia oportunidades abundantes de sentir na pele a natureza e sentir a presença do Senhor da Criação. Tais experiências lhes proporcionavam uma grande perspectiva da imensidão da Criação. Moisés, que se criara na casa do Faraó, viveu numa das civilizações mais avançadas da antigüidade. É interessante notar que depois de fugir ao deserto do Sinai—onde ele sentia silêncio, solidão e escuridão com mais intensidade do que nunca—Moisés se viu face a face com o Deus da Natureza. “E aconteceu que se passaram muitas horas antes que Moisés recobrasse sua força natural como homem; e disse a si mesmo: Ora, por esta razão sei que o homem nada é, coisa que nunca havia imaginado” (Moisés 1:10).

Dada a realidade da vida urbana moderna, onde a solidão é difícil de se encontrar, onde o silêncio é difícil de achar e onde a escuridão natural quase não existe mais, será que há algo que possamos fazer—algo que nos proporcione os tipos de experiências pelas quais passaram Abraão e Sara, Zacarias e Elisabete, e Joseph e Emma Smith que fizeram com que achassem seu lugar no grande cosmo. Obviamente não podemos voltar ao passado mas podemos desligar o televisor, desligar o iPod, desligar o rádio, apagar a luz e tirar um tempinho para contemplar o a criação natural de Deus. Na pressa e ritmo frenético da vida, precisamos reduzir a velocidade e passar mais tempo a sós. Os profetas têm nos aconselhado a respeito do involvimento demasiado em recreio e esportes, televisão e atividades demais tanto na Igreja como em casa.

Podemos visitar locais tais como o Monumento Nacional das Pontes Naturais de Utah, que ganhou o apelido de o primeiro parque nacional de ‘céu escuro,’ ou seja, um lugar sem poluição luminosa, ou algum outro lugar longe das áreas urbanas, se possível. Também podemos parar para apreciar a grandeza da criação de Deus através de passar pelo templo e sentir o silêncio “do monte da casa do Senhor” (Isaías 2:2). Creio que tais lugares sagrados nos ajudam a “aquietar-nos e saber que [Ele é] Deus” (Doutrina e Convênios 101:16), assim renovando-nos pela solidaõ, silêncio e escuridão.

 

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