Blog de Robert L. Millet


Diretor de Publicações do Centro de Estudos Religiosos da BYU





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Semana de Educação da BYU

POSTED BY: holzapfel

08/14/09


Blog do convidado especial Brent L. Top, professor de história e doutrina da Igreja, BYU.

Um milagre ocorre todo agosto em Provo. Já o vi com os próprios olhos. De fato, não fui só observador como também participante. O milagre é a Education Week (Semana de Educação) aqui no campus. A Brigham Young University se transforma de um dia para outro. Todos os anos, durante uma semana, as salas de aula que normalmente se enchem de jovens adultos de repente se enchem de vovozinhas e vovozinhos de cabelo grisalho, mães cansadas contentes em ter um tempinho para si mesmas, jovens emocionados procurando novos amigos e papais de carteira já vázia ao ter garantido que todos se divertissem. Os estacionamentos se enchem de trailer e os hoteis da região ficam lotadas de famílias que assistem às aulas, aos concertos e peças e a outras atividades. O leque de aulas é tão variado como as idades, feições e condições de vida dos participantes. Para cada estudante, seja um moço de quatorze anos admirado de ter pisado no campus de uma universidade pela primeira vez, ou para uma velhinha de noventa anos que nunca deixou de assistir às aulas da Semana de Educação e até, às vezes, nem parou para almoçar, há algo que possa expandir a mente, fortalecer o espírito e consolar a alma.

Este milagre reflete o profundo compromisso dos Santos dos Últimos Dias ao conceito de educação contínua, compromisso este que se baseia nas revalações da Restauração e nos ensinamentos dos profetas modernos. A educação contínua tem benefícios tanto temporais como espirituais, sim, benefícios que nutrem nossa vida terrena e nos abençoaraão por toda a eternidade. É-nos ordenado: “Buscai diligentemente e ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria” (D&C 88:118). Também devemos buscar conhecimento “em teoria, em princípio, em doutrina, na lei do evangelho, em todas as coisas pertencentes ao Reio de Deus, que vos convém compreender” (D&C 88:78). Ademais, devemos aprender “tanto as coisas do céu como da Terra e de debaixo da Terra; coisas que foram, coisas que são, coisas que logo hão de suceder; coisas que estão em casa (nacionais), coisas que estão no estrangeiro; as guerras e complexidades das nações e os julgamentos que estão sobre a terra; e também um conhecimento de países e reinos” (D&C 88:79). Nossa educação contínua há de ser tanto uma busca espiritual como intelectual e profissional. O Senhor nos ensinou que o conhecimento que adquirimos através de nosso aprendizado nos preparará em todas as coisas a fim de magnificar os chamados a que fomos preordenados (vide D&C 88:80) e ressuscitará conosco na ressurreição, sendo para nós uma vantagem na eternidade (vide D&C 130:18—19).

Levando em conta estas escrituras, não é de se admirar que a instrução, tanto formal como informal, desempenhe um papel importante na vida dos Santos dos Últimos Dias fieis. Nossa fé deve nos impulsionar adiante à busca da verdade e conhecimento de Deus. “Afinal de contas somos todos nós estudantes,” ensinou o Presidente Gordon B. Hinckley. “Se chegar o dia em que deixarmos de aprender, cuidado!

Dentro de cada um de nós há um potencial grande de continuar a aprender. Independente de nossa idade, a não ser que se tenha uma doença grave, podemos ler, estudar e assimilar os escritos de maravilhosos homens e mulheres. . . .

Devemos continuar a crescer. Devemos aprender continuamente. Trata-se de uma ordem divina, a de irmos adiante, aumentando nosso conhecimento.

Temos acesso a aulas do instituto, cursos universitários à longa distância, a semana de educação e muitas outras oportunidades em que, ao estudarmos e juntar nosso pensamento ao dos outros, descobriremos uma reserva enorme de capacidade dentro de nós mesmos. (Teachings of Gordon B. Hinckley (Os Ensinamentos de Gordon B. Hinckley) [Salt Lake City: Deseret Book, 1997], 302–3.)

Ao longo dos últimos vinte anos tenho lecionado como um dos professores da Semana da Educação. É sempre um privilégio participar porque sempre recebo mais do que dou e fico cada vez mais decidido a melhorar. Minha fé no Senhor e amor ao evangelho sempre se fortalecem quando presencio o milagre de agosto: milhares e milhares de Santos de todas as partes do mundo que realmente “entram para aprender” e então “saem para servir,” tornando-se melhores maridos, esposas, pais, mães, avós, filhos e conservos no Reino de Deus. Devido ao fato de sua vida ter sido fortalecida, eles têm mais condições de servir seu próximo ao longo das semanas e anos que vêm. Isso realmente se trata de um milagre!


Procurai Conhecimento

POSTED BY: holzapfel

07/13/09


Os Santos dos Últimos Dias gostam de citar uma frase de revelação moderna: “Procurai conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé” (Doutrina e Convênios 88:118). Desde o início da Restauração na década de 1820, um tema muito comum da busca religiosa do Profeta Joseph Smith era o de procurar conhecimento, luz e entendimento. Quando na primavera de 1820 ele entrou num bosque perto de sua casa para orar, Joseph Smith foi impelido por sua confiança na promessa bíblica que se acha em Tiago 1:5 de que ele encontraria sabedoria se a buscasse. Esta oração resultou na Primeira Visão, em que Joseph viu o Pai e o Filho, assim dando início a um alvorecer espiritual que os homens e mulheres contemporâneos de Joseph não esperavam, mas que os profetas e apóstolos da antiguidade haviam antecipado (vide Atos 3:20–21).

A partir deste momento, as verdades do evangelho continuaram a ser reveladas pelo jovem profeta ao passo que ele mesmo buscava a sabedoria de Deus. É interessante notar que Joseph Smith não só orou para receber tal sabedoria como também estudou a palavra de Deus e as línguas do mundo bíblico (por exemplo, hebreu e egípcio), pondo em prática o mandamento: “procurai conhecimento, sim, pelo estudo e pela fé.” Seu exemplo neste esfoço de duas partes estabeleceu um padrão para os Santos dos Últimos Dias que continua a nos desafiar ainda hoje em dia.

Ultimamente, tem havido uma explosão de livros de autoajuda para “ignorantes,” ou seja, livros que “simplificam” as coisas. Na vida corrida da atualidade, muitas vezes procuramos uma solução rápida de nossos problemas, até no que diz respeito ao estudo das escrituras. Porém, quando se aplica tal método ao estudo das escrituras, este modo de estudar, embora seja popular, pode não aumentar nosso conhecimento do assunto. Meu colega, Robert J. Millet, opinou uns tempos atrás que as escrituras precisam ser compreensíveis mas não simplificadas. Não acredito que ele estivesse fazendo um jogo de palavras, pelo contrário, identificou uma diferença importante entre os dois métodos de aprendizado.

Felizmente, Joseph Fielding McConkie, professor emérito de escrituras antigas da BYU, nos ajuda a fazer as escrituras mais compreensíveis por meio de seu livro mais recente, Between the Lines: Unlocking Scriptures with Timeless Principles [Nas Entrelinhas: o Desencadear das Escrituras por meio de Princípios Sempiternos] (Honeoye Falls, NY: Digital Legend, 2009).

O que mais me impressionou neste livro é que me obrigou a pensar mais em como leio e estudo as escrituras. Às vezes, para focalizar nosso pensamento, é importante contemplar como e por que fazemos uma coisa rotinária como estudar as escrituras. McConkie não se importa com as “técnicas,” tais como o sistema de cores dos lápis que se usam para marcar as escrituras, ou mesmo se devemos marcar as escrituras ou não. Sua meta é a de incrementar nosso estudo das escrituras por meio de prover “princípios eternos que facilitam o entendimento íntegro das escrituras” (viii).

O livro contém mais do que meras ideias sobre o entendimento das escrituras. Há sugestões concretas. Por exemplo, o autor recomenda que aproveitamos “várias Bíblias de estudo específico” (29). Ele desfruta “a ajuda da Archaeological Study Bible [Bíblia de Esudos Arqueológicos], The Jewish Study Bible [A Bíblia Judaica de Estudo], The Catholic Study Bible [A Bíblia Católica de Estudo], e várias Bíblias Protestantes de estudo” (29) e até fornece uma lista de tais Bíblias de estudo na seção “Sources [Fontes]” (165–66).

Há momentos humorosos espalhados ao longo do livro quando o autor se diverte em indicar umas práticas comuns que muitos de nós temos seguido ao longo dos anos, mas que podem ter nos desviado da meta de entender as escrituras. Pode ser até saudável nos rir de nós mesmos de vez em quando, principalmente quando se leva em conta que é possível que tenhamos suportado “um bocado de abuso das escrituras” (viii). Recomendo este livro a todos os que querem melhorar a qualidade de seu estudo e ensino das escrituras.