Blog de Robert L. Millet


Diretor de Publicações do Centro de Estudos Religiosos da BYU





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Lembra-te do Dia do Sábado

POSTED BY: holzapfel

06/08/09


O livro de Êxodo nos conserva os Dez Mandamentos, inclusive o quarto deles: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar” (Êxodo 20:8). Tem-se discutido e debatido há muito tempo o significado do quarto mandamento. Felizmente Craig Harline, professor de história da BYU, redigiu a história ao longo dos séculos dos esforços feitos pela humanidade no sentido de designar e consagrar um dia especial entre todos da semana. O título do livro de Harline é Sunday: A History of the First Day from Babylonia to the Super Bowl [Domingo: a história do Primeiro Dia desde a Babilônia até o Super Bowl (campeonato de futebol profissional americano que sempre se realiza num domingo do mês de janeiro)] (New York: Doubleday, 2007).

O relato de Harline começa num domingo de Super Bowl, focalizando na reação de sua avó (que tinha noventa anos na época) em certo domingo enquanto a família se reunia para assistir ao campeonato. Por fim ela saiu da sala perguntando-se a si mesma como é que a sociedade teria chegado a este ponto. Ele revela que também havia se preocupado com isso, mas por um motivo diferente. Ele recorda que ficou chocado pelo fato de domingo fazer parte do ‘Domingo de Super Bowl.’ “Como terá acontecido isso?” (viii). O livro responde à pergunta.

O autor é um excelente escritor e observador perspicaz quando aos lugares geográficos e povos do mundo e inclui sua anáolise de textos antigos e modernos. Ele não somente conta a história de palavras importantes como sábado e domingo como também inclui experiências da vida de pessoas reais que também procuraram entender o significado mais profundo de festivais religiosos e dias santos. Ele retrata a vida nas antigas regiões em volta do Mar Mediterraneo, bem como na Europa medieval e moderna, inclusive na Inglaterra e nos Estados Unidos dos séculos dezenove e vinte. Eis dois esclarecimentos entre centenas que me ajudaram a reconstruir o passado para poder apreciar o presente.

Primeiro, a criação do “sábado à tarde livre” na Inglaterra foi o início do moderno “fim de semana.” Muitos países “adotaram tanto a expressão como a prática [inglesa] do ‘fim de semana’” logo depois da Primeira Guerra Mundial (217). Esta nova formulação da semana, que passou de uma semana de seis dias úteis para uma de cinco e meio, proporcionou mais oportunidades de descanso e participação de atividades de lazer. Algumas pessoas diziam que o propósito da tarde livre nos sábados era para permitir que o povo fizesse seus afazeres pessoais no sábado, deixando o domingo livre para a meditação calma e adoração ao Senhor, ou seja, o chamado “domingo silencioso” da tradição inglesa (218). Porém, em vez disso, “aqueles que queriam liberalizar o domingo inglês alegavam que devido ao aumento de horas livres, as novas oportunidades e instalações para o lazer não eram suficientes para acomodar todos aqueles que queriam usufruí-las, a não ser que estivessem disponíveis também aos domingos” (218).

Segundo, para algumas pessoas, praticar esportes no domingo se justificou pela ideia “nobre” de que os esportes “podiam transmitir virtudes morais” tais como “unidade (de equipe), disciplina, altruísmo e mais” (261). De um ponto de vista, participar (não assistir) em “bons esportes” era melhor que jogar cartas ou desperiçar tempo nos bares. Um inglês argumentava que “nossos esportes nos mantêm saudáveis e fazem que evitemos os maus hábitos de beber, ficar acordados até muito tarde, etc.” No entanto, o fato de agluns praticarem esportes no domingo criava “mais trabalho para os outros” (261). Isso se tornou ainda mais evidente com a mudança de praticar esportes para a de assistir às partidas de vários esportes aos domingos.

Harline mostra que as práticas sabatinas continuam a mudar com o passar do tempo e acrescenta: “Parece ponto pacífico que este processo de mudança continuará: O domingo se transformará à medida que o mundo transforma.” Não obstante, ele opina: “Também é ponto pacífico que quaisquer que sejam as mundanças, o domingo sempre manterá seu caráter de extraordinário, independente de como as pessoas o encararem” (381).

Aprendi muito por meio do meu colega e utilizarei algumas de suas ideias convincentes nas minhas aulas de Novo Testamento, ao ensinar sobre a controvérsia entre Jesus e os judeus acerca do sábado, conforme registrado nos livros evangélicos [Mateus, Marcos, Lucas e João], e também ao lecionar a respeito de revelação moderna referente ao dia santo do Senhor, conforme se encontra na seção 59 de Doutrina e Convênios.

(“tags” só disponíveis em inglês)