Blog de Robert L. Millet


Diretor de Publicações do Centro de Estudos Religiosos da BYU





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A Redescoberta de um Mundo Antigo

POSTED BY: holzapfel

07/17/09


 O Centro de Estudos Religiosos da BYU [BYU Religious Studies Center] promove pesquisas e a publicação de artigos doutos através de bolsas e das próprias publicações do Centro. Um aspecto da missão do CER é o de incentivar a reconstrução do mundo das escrituras e da Restauração para nos dar um contexto para facilitar os estudos.

Atualmente sou codiretor do programa de Estudos no Exterior da BYU em Roma e Atenas junto com Gary Hatch, reitor adjunto de Educação Geral e Programas de Honras. Quarenta alunos estão conosco para esta aventura, e que aventura! Faz calor, está muito húmido e é difícil levar todos a um museu ou local arqueológico devido ao sistema complicado e congestionado de ônibus, trem e metrô.Como se pode imaginar, passamos muito tempo passeando pelas ruas da antiga Roma. Em alguns lugares, pode ser que até sigamos os mesmos passos de Pedro e Paulo. Na semana que vem vamos viajar para mais longe, até as antigas ruínas de Pompeia, perto da cidade moderna de Nápoles na Itália.

Já fui a Pompeia várias vezes depois da minha primeria visita com um grupo de estudantes colegiais de York, Estado de Maine, em 1972. Cada visita subsequente tem me deixado cada vez mais melancólico e por isso não estou muito a fim de fazer outra viagem. Fico angustiado pelas imagens de morte na cidade, especialmente os moldes de gesso dos corpos daqueles que lá morreram há tantos anos. Não obstante, tenho me preparado para a excursão através da leitura de um novo livro sobre Pompeia de Mary Beard, The Fires of Vesuvius: Pompeii Lost and Found [Os fogos do Vesúvio: Pompeia Perdida e Achada] (Cambridge, MA: The Belknap Press of Harvard University Press, 2008).

O livro de Beard me lembra que a história do passado é muito mais complicado do que imaginamos. Este livro é bom para qualquer pessoa que sonhe em ir a Pompeia ou que queira entender a complexidade da história daquela cidade. Em primeiro lugar, a autora nos explica que Pompeia é mais que uma “mera cidade congelada no tempo” (9). Em capítulo após capítulo a autora nos diz que: “Nem tudo é como parece à primeira vista” (13). Já tinha havido destruição antes da erupção famosa de 79 AD (ela descorda que a data do cataclismo foi de 25 de agosto daquele ano) e logo após o trágico desastre houve pilhagem no local. Então, em 1943, as bombas das forças aliadas destruíram ainda mais, complicando ainda mais a história. Apesar disso, Beard observa: “É verdade que esta cidade nos oferece uma vista mais vívida das pessoas e de sua vida do que em qualquer outra parte do antigo mundo romano” (15). Porém, “O contexto maior e as respostas a muitas perguntas básicas sobre a cidade, na verdade, permanecem muito obscuros” (16).

Beard nos proporciona retratos em palavras desta história de tantas nuanças e complexidades que nos ajudam a enxergar além da reconstrução moderna da cidade e da nossa imaginação hollywoodiana do que pode ter sido a realidade. Na próxima vez que lerem a segunda parte do Novo Testamento, considerem o estudo histórico e cultural a respeito da época para preencher as lacunas do relato no livro de Atos. Tal estudo revelará um mundo interessante e complexo, dando um contexto mais âmplo aos escritos de Paulo, Lucas, Pedro e outros.


Procurai Conhecimento

POSTED BY: holzapfel

07/13/09


Os Santos dos Últimos Dias gostam de citar uma frase de revelação moderna: “Procurai conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé” (Doutrina e Convênios 88:118). Desde o início da Restauração na década de 1820, um tema muito comum da busca religiosa do Profeta Joseph Smith era o de procurar conhecimento, luz e entendimento. Quando na primavera de 1820 ele entrou num bosque perto de sua casa para orar, Joseph Smith foi impelido por sua confiança na promessa bíblica que se acha em Tiago 1:5 de que ele encontraria sabedoria se a buscasse. Esta oração resultou na Primeira Visão, em que Joseph viu o Pai e o Filho, assim dando início a um alvorecer espiritual que os homens e mulheres contemporâneos de Joseph não esperavam, mas que os profetas e apóstolos da antiguidade haviam antecipado (vide Atos 3:20–21).

A partir deste momento, as verdades do evangelho continuaram a ser reveladas pelo jovem profeta ao passo que ele mesmo buscava a sabedoria de Deus. É interessante notar que Joseph Smith não só orou para receber tal sabedoria como também estudou a palavra de Deus e as línguas do mundo bíblico (por exemplo, hebreu e egípcio), pondo em prática o mandamento: “procurai conhecimento, sim, pelo estudo e pela fé.” Seu exemplo neste esfoço de duas partes estabeleceu um padrão para os Santos dos Últimos Dias que continua a nos desafiar ainda hoje em dia.

Ultimamente, tem havido uma explosão de livros de autoajuda para “ignorantes,” ou seja, livros que “simplificam” as coisas. Na vida corrida da atualidade, muitas vezes procuramos uma solução rápida de nossos problemas, até no que diz respeito ao estudo das escrituras. Porém, quando se aplica tal método ao estudo das escrituras, este modo de estudar, embora seja popular, pode não aumentar nosso conhecimento do assunto. Meu colega, Robert J. Millet, opinou uns tempos atrás que as escrituras precisam ser compreensíveis mas não simplificadas. Não acredito que ele estivesse fazendo um jogo de palavras, pelo contrário, identificou uma diferença importante entre os dois métodos de aprendizado.

Felizmente, Joseph Fielding McConkie, professor emérito de escrituras antigas da BYU, nos ajuda a fazer as escrituras mais compreensíveis por meio de seu livro mais recente, Between the Lines: Unlocking Scriptures with Timeless Principles [Nas Entrelinhas: o Desencadear das Escrituras por meio de Princípios Sempiternos] (Honeoye Falls, NY: Digital Legend, 2009).

O que mais me impressionou neste livro é que me obrigou a pensar mais em como leio e estudo as escrituras. Às vezes, para focalizar nosso pensamento, é importante contemplar como e por que fazemos uma coisa rotinária como estudar as escrituras. McConkie não se importa com as “técnicas,” tais como o sistema de cores dos lápis que se usam para marcar as escrituras, ou mesmo se devemos marcar as escrituras ou não. Sua meta é a de incrementar nosso estudo das escrituras por meio de prover “princípios eternos que facilitam o entendimento íntegro das escrituras” (viii).

O livro contém mais do que meras ideias sobre o entendimento das escrituras. Há sugestões concretas. Por exemplo, o autor recomenda que aproveitamos “várias Bíblias de estudo específico” (29). Ele desfruta “a ajuda da Archaeological Study Bible [Bíblia de Esudos Arqueológicos], The Jewish Study Bible [A Bíblia Judaica de Estudo], The Catholic Study Bible [A Bíblia Católica de Estudo], e várias Bíblias Protestantes de estudo” (29) e até fornece uma lista de tais Bíblias de estudo na seção “Sources [Fontes]” (165–66).

Há momentos humorosos espalhados ao longo do livro quando o autor se diverte em indicar umas práticas comuns que muitos de nós temos seguido ao longo dos anos, mas que podem ter nos desviado da meta de entender as escrituras. Pode ser até saudável nos rir de nós mesmos de vez em quando, principalmente quando se leva em conta que é possível que tenhamos suportado “um bocado de abuso das escrituras” (viii). Recomendo este livro a todos os que querem melhorar a qualidade de seu estudo e ensino das escrituras.


“E depois nos dirigimos a Roma”

POSTED BY: holzapfel

07/07/09


Há quase dois mil anos Lucas preparou uma obra em duas partes, ou seja, o Evangelho de São Lucas e o livro dos Atos dos Apóstolos, mas o que se conta nelas é tão reanimador e emociante como uma história moderna. Ele estva em muito boa forma ao escrever os últimos dois capítulos de Atos, os quais contêm uma das maiores narrativas do passado sobre viagens ao alto-mar (vide Atos 27–28). Paulo já havia languescido por dois anos na prisão da capital provinciana romana da Judeia quando Lucas iniciou esta parte muito conhecida do relato: “E, como se determinou que havíamos de navegar para a Itália, entregaram Paulo, e alguns outros presos, a um centurião por nome de Júlio, da coorte augusta” (Atos 27:1).

Lucas nos deu um relato dramático da tempestade, da advertência e do naufrágio. Paulo, que era conhecido como missionário incansável que procura salvar o mundo, de fato salvou a tripulação, os soldados e os prisioneiros. Acharam refúgio numa ilha, provavelmente a de Malta, e depois de três meses, embarcaram num navio graneleiro provindo de Alexandria, Egito, rumo a Roma.

Lucas continuou, “E, chegando a Siracusa [na Sicília], ficamos ali três dias. De onde, indo costeando, viemos a Régio; e soprando, um dia depois, um vento do sul, chegamos no segundo dia a Potéoli [a atual Pozzuoli, logo ao norte de Nápoles]” (Atos 28:12–13).

Durante os últimos quinze anos tenho retraçado as viagens de Paulo. Trata-se não somente de um projeto profissional (leciono o Novo Testamento) mas também uma busca pessoal—Paulo me interessa muito há um tempão. No domingo passado, por fim visitei um local que está há muito tempo na minha lista de lugares que eu gostaria de conhecer—Pozzuoli. Com um ex-companheiro de missão, Steve Smoot, na direção, chegamos a esta cidadezinha calma na costa italiana.

Pozzuoli recém apareceu no noticiário. Só na semana passada, arqueólogos desenterraram um busto em mármore do imperador romano Tito, o qual havia destruído Jerusalém e o templo em 70 AD.

Voltando ao livro de Atos, o relato de Lucas agora passa de narrativa marítima à viagem por terra com seis palavras cheias de emoçaõ: “E depois nos dirigimos a Roma” (Atos 28:14). Naturalmente, Roma foi a destinação final da jornada, mas, o que é de mais importante, a chegada a Roma representou o ponto culminante do relato do livro de Atos—Paulo agora proclamaria “as boas novas” em Roma, o centro do próprio império.

Para mim, a melhor parte da visita aos locais históricos é que daquele dia em diante sinto algo diferente ao ensinar a história sobre ao local. Como Lucas, vou poder proporcionar um retrato em palavras a meus estudantes. Neste caso, descreverei o Mar Mediterrâneo tão azul, a praia apinhada de barcos, redes e pássaros e cercado de morros no horizonte em Pozzuoli. Na minha lembrança levarei um retrato de Paulo, subindo os barrancos que separam a aldeia da planície lá em cima, dando início a sua caminhada a Roma. Lembrar-me-ei do calor, da humidade e do cheiro da água do mar e dos peixes. Meus alunos viajarão comigo ao viajarmos com Lucas e Paulo por Pozzuoli a caminho de Roma ao estudarmos o relato desta viagem do Apóstolo Paulo.