Blog de Robert L. Millet


Diretor de Publicações do Centro de Estudos Religiosos da BYU





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“A solidão, o silêncio e a escuridão”

POSTED BY: holzapfel

11/04/08


Gosto de ler a revista National Geographic quando chega todo mês pelo correio. O artigo de destaque da edição de novembro de 2008 me chamou atenção: “O fim da noite: Por que precisamos da escuridão.” Antes do alvorecer do século vinte, o mundo tinha abundância de três coisas—a solidão, o silêncio e a escuridão. “De forma muito real,” escreveu Verlyn Klinkenborg , “a poluição luminosa faz com que percamos a vista do nosso verdadeiro lugar no universo; esquecemo-nos da estatura da nossa existência que melhor se mede pelas dimensões da Via Láctea de noite profunda—a beira da galáxia que arqueia lá em cima” (“Our Vanishing Night [A noite sumidiça],” 109).

Minhas próprias experiências nos desertos do Sinai e de Negev possibilitaram que eu pudesse imaginar o mundo antigo—um lugar de vastos espaços vazios e de maravilhas esplêndidas e assombrosas. Nestes locais afastados o céu noturno se ilumina de estrelas extremamente brilhantes. Os canhões, penhascos, montanhas escarpadas, dunas e pântanos de enchem de um silêncio ensurdecedor. Por fim se torna um local onde se pode contemplar o poder sem par do Senhor—o Criador dos céus e a terra. Ao mesmo tempo, é um lugar onde o ser humano pode considerar sua dependência de Deus pela própria existência.

O mundo antigo oferecia oportunidades abundantes de sentir na pele a natureza e sentir a presença do Senhor da Criação. Tais experiências lhes proporcionavam uma grande perspectiva da imensidão da Criação. Moisés, que se criara na casa do Faraó, viveu numa das civilizações mais avançadas da antigüidade. É interessante notar que depois de fugir ao deserto do Sinai—onde ele sentia silêncio, solidão e escuridão com mais intensidade do que nunca—Moisés se viu face a face com o Deus da Natureza. “E aconteceu que se passaram muitas horas antes que Moisés recobrasse sua força natural como homem; e disse a si mesmo: Ora, por esta razão sei que o homem nada é, coisa que nunca havia imaginado” (Moisés 1:10).

Dada a realidade da vida urbana moderna, onde a solidão é difícil de se encontrar, onde o silêncio é difícil de achar e onde a escuridão natural quase não existe mais, será que há algo que possamos fazer—algo que nos proporcione os tipos de experiências pelas quais passaram Abraão e Sara, Zacarias e Elisabete, e Joseph e Emma Smith que fizeram com que achassem seu lugar no grande cosmo. Obviamente não podemos voltar ao passado mas podemos desligar o televisor, desligar o iPod, desligar o rádio, apagar a luz e tirar um tempinho para contemplar o a criação natural de Deus. Na pressa e ritmo frenético da vida, precisamos reduzir a velocidade e passar mais tempo a sós. Os profetas têm nos aconselhado a respeito do involvimento demasiado em recreio e esportes, televisão e atividades demais tanto na Igreja como em casa.

Podemos visitar locais tais como o Monumento Nacional das Pontes Naturais de Utah, que ganhou o apelido de o primeiro parque nacional de ‘céu escuro,’ ou seja, um lugar sem poluição luminosa, ou algum outro lugar longe das áreas urbanas, se possível. Também podemos parar para apreciar a grandeza da criação de Deus através de passar pelo templo e sentir o silêncio “do monte da casa do Senhor” (Isaías 2:2). Creio que tais lugares sagrados nos ajudam a “aquietar-nos e saber que [Ele é] Deus” (Doutrina e Convênios 101:16), assim renovando-nos pela solidaõ, silêncio e escuridão.

 

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